Resenha: Will & Will – Um nome, um destino

Olá, pessoal! Nós já temos uma resenha super apaixonada da Vânia de Will Grayson, Will Grayson aqui no blog, na versão em inglês, e depois de ler essa resenha há muito tempo, eu já vinha com aquela vontade enorme de ler o livro. Com lançamento no Brasil, a Editora Record gentilmente nos cedeu um exemplar, apesar de não sermos parceiros do selo da Galera Record, portanto foi a oportunidade de ouro para que eu também me deliciasse com essa história. É claro que depois de ler a resenha da Vânia minhas expectativas estavam altíssimas, porém, dessa vez, elas só conseguiram ser superadas, o que é lindo e muito, muito amor, gente. Então esperem outra resenha babando o ovo do livro, mas também com algumas outras opiniões e mais sobre essa ótima edição brasileira da Galera.

Em uma noite fria, numa improvável esquina de Chicago, Will Grayson encontra… Will Grayson. Os dois adolescentes dividem o mesmo nome. E, aparentemente, apenas isso os une. Mas mesmo circulando em ambientes completamente diferentes, os dois estão prestes a embarcar em um aventura de épicas proporções. O mais fabuloso musical a jamais ser apresentado nos palcos politicamente corretos do ensino médio. Fonte

Do querido John Green, eu já li Quem é você, Alasca? (Looking for Alaska) – a minha primeira leitura do autor, presente também da Vânia, que foi quem começou todo o nosso amor pelo John Green aqui no blog. Também li A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars) – meu queridinho – e desenvolvi uma paixão arrebatadora pelo livro e pelo autor desde então. Já do David Levithan eu ainda não tinha lido nada e agora estou doida para conhecer outras obras do autor.

Will & Will (e eu só chamo o livro desse jeito porque a) o título é muito comprido e b) eu achei que esse título brasileiro ficou parecendo nome de filme da Sessão da Tarde, pra mim “Will & Will era o suficiente) começa com Will Grayson, um adolescente que segue duas regras na vida: não se importar e não abrir a boca. Ele tem esse melhor (e único) amigo chamado Tiny Cooper, que o maior gay da história (e maior também no sentido de ser um cara GIGANTESCO e daí a ironia do nome Tiny). Will Grayson permanece muito tempo calado, o que pode ser meio irritante – e Tiny tem razão de reclamar disso – porém dentro da sua cabeça, Will é um tagarela irônico e sarcástico que causa risadas deliciosamente cruéis durante a leitura. É claro que em algum momento ele abre a boca e começa a se importar, e é claro que é aí que as coisas ficam ainda melhores. Eu adorei o Will e adorei toda a evolução que ele teve durante o livro. E isso é algo muito, muito legal de Will & Will, porque os personagens aqui evoluem e amadurecem de um jeito incrível que faz com que você queira abraçá-los.

(…) porque o Sr. Applebaum, que ostensivamente nos ensina pré-cálculo, mas que principalmente me ensina que a dor e o sofrimento devem ser suportados estoicamente (…)

willewill_capaJá will grayson é o outro narrador do livro (coloquei o nome em letras minúsculas para diferenciá-los, além disso, esse will narra tudo em minúsculas; o próprio David Levithan disse que é porque é assim que ele se vê o tempo todo). will grayson é outro adolescente, também de certa maneira perdido na vida tanto quanto o outro Will Grayson; ele está confuso, apaixonado por um cara que conheceu na internet chamado Isaac, descobre que é gay, tem problemas na família e toma antidepressivos. Ele é extremamente dramático em sua narrativa, mas isso não quer dizer que você também não vá dar risadas enquanto lê os seus capítulos porque, ah, você vai! Todo esse livro arranca gargalhadas do leitor (e não importa se você estiver em um local público, você vai rir alto mesmo assim). Mas posso confessar uma coisa? Eu não gostei desse will grayson. Eu o entendo em muitas partes, mas também senti que ele é terrivelmente egoísta: egoísta com a mãe, com os amigos, com o Tiny (que, sério, é um cara muito legal e praticamente um anjo que caiu na vida dele) e consigo mesmo. Ele é egoísta com todo mundo. Mas também é muito, muito bacana, como ele evolui e como é responsável pela cena mais incrível e emocionante de todo o livro.

vai ao encontro do que eu chamo de a regra da bosta do passarinho. sabe, quando as pessoas te dizem que é sinal de boa sorte quando um pássaro caga em você? e acreditam nisso! eu tenho vontade de sacudi-las e dizer: “cara, você não percebe que toda essa superstição foi criada porque ninguém pôde pensar em nada melhor pra dizer a alguém que tinha acabado de ser cagado?

Os dois “Wills” se encontram completamente por acaso, em um momento em que estão arrasados. Will ajuda will, mas na verdade esse é um dos poucos momentos em que os dois interagem. A história não é sobre o encontro dos dois, mas sobre o que resultou disso: é sobre amizade, amor e sobre encontrar a si mesmo. A mensagem toda do livro é linda e fabulosa, assim como o musical do Tiny.

Ah, o Tiny! Ele é tão tão tão… tão querido! Ele tem um coração enorme e realmente mostra – para os dois Wills e para nós também – o que realmente importa. Ele é o tipo de personagem que você quer abraçar e desejar de todo o coração que seja muito, muito feliz. Foi difícil fechar o livro e me despedir dele; aliás, foi difícil me despedir de todo mundo nesse livro, porque todos são incríveis. Sabe aquele sentimento que você tem ao ler um livro e perceber que fez bons amigos? Pois é. Aí você sente aquela tristeza ao fechar a última página. E o caso com esses livros – assim como aconteceu com Will & Will – é que geralmente eles são tão bons que terminam muito rápido. Li esse livro em o quê, dois dias? Terminei-o ontem e já estou com saudade.

tiny: estamos sempre tendo essa conversa. mas, se você continuar se concentrando no porquê de tudo ser tão difícil pra você, nunca vai perceber como poderia ter sido fácil.

Sobre a edição brasileira, gostei muito da capa, na verdade até gostei mais do que a capa original. O formato/tamanho do livro é o meu preferido, aquele que nem é enorme, nem muito pequeno, bem confortável de ler. O papel é de qualidade e a fonte é gostosa de ler, porém confesso que todos esses “Qs” elaborados desviaram a minha atenção no começo (deem uma olhadinha na foto, que Q é esse, minha gente? O_o).

willewill_miolo

Tirando o título – que continuo achando super Sessão da Tarde – só encontrei um porém na tradução, algo que me despertou um clique no cérebro tão grande que fui procurar a Vânia, que leu o livro em inglês, para perguntar como era a frase original. Não vou colocar a frase inteira porque acho que seria spoiler, então vou colocar só a parte que interessa:

e eu te aprecio

No original, a frase era assim:

and i appreciate you

O que eu senti ao ler: estranheza. Ninguém aqui no Brasil fala “eu te aprecio, fulano”. Nós falamos “eu gosto de você, fulano”. Simples assim. Então, ler isso saindo da boca de um adolescente foi no mínimo esquisito, tanto que me desviou um pouco da leitura e me fez ter essa curiosidade de ver como era o original. Já nos EUA, a Vânia disse que eles estão acostumados a falar essa expressão, é comum. De verdade, não gostei de ler essa tradução literal, ainda mais porque ela acontece em um momento super importante do livro. Mas, claro, gente, não é nada que estrague o livro, longe disso, é só uma observação mesmo. Eu leio essa parte e substituo mentalmente por “eu gosto de você”, pronto.

Mas voltando à história, o que eu senti foi aquela sensação maravilhosa de terminar um livro muito bom. Sabe aquela coisa gostosa de terminar, pensar “uau, esse é um dos meus favoritos!”, abraçá-lo, ficar com saudade dos personagens e querer recomendá-lo para todo mundo? Então, assim como disse a Vânia, eu digo: leiam, releiam, abracem, amem esse livro. Ele é muito, muito amor. Já eu fico por aqui, abraçando-o e querendo voltar no tempo para começar essa leitura incrível, de novo, de novo, de novo…

Esse livro foi gentilmente cedido para resenha pela Editora Record!

Ficha Técnica:

Título: Will & Will – Um nome, um destino
Autor: John Green e David Levithan
Editora: Galera Record
Páginas: 352
Onde comprar: Livraria Cultura
Avaliação: 

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  • Nivia Fernandes disse:

    Que resenha lindaaaa! Eu já tava com vontade de ler desde a resenha da Ily, mas pelo jeito o livro é mais um da série “impossível de não se apaixonar imensamente por John Green”!
    Eu queeeero! Poxa, realmente, ter o mesmo nome não implica em ter semelhanças. E neste caso, ao que parece, o que os assemelha é a transformação que vão passar.

    Sobre o “Q” enorme, eu já vi isso e realmente distrai. huahuahuahua
    Agora, quanto ao aprecio… Não era do personagem isso, da personalidade dele? Ou era tradução literal mesmo, porque no resto do tempo ele falava bem informal?

    Parabéns pela resenha também! \o/ Vocês me deixam com mais itens na lista de pendências de livros. rs
    Beijos!

  • Karen disse:

    Nhaaaim, brigada, Nik! *_*
    John Green é muito amor! E eu também quero muito ler mais livros do David Levithan, porque esse livro foi apaixonante!
    Sobre a tradução, acho que era tradução literal mesmo, não coisa do personagem. Até conversei com a Ily mais cedo, comentando do livro, e ela também acho que era isso. O personagem que falou isso foi o mesmo do quote da bosta de passarinho ali em cima… rs
    E nós adoramos encher as listas das pessoas com mais e mais livros! Leia, leia, leia assim que puder!

  • Vania disse:

    Que linda a resenha, Parceira! Will Grasyon Will Grayson foi o segundo livro de John Green que eu li (se não me engano) e eu não conseguia parar de rir. A vontade que eu tive ao terminar o livro foi pular em cima da mesa e começar a cantar, e fiquei assim por um bom tempo ainda após a leitura. Tiny Cooper é simplesmente maravilhoso, como eu queria ter um amigo fabuloso como ele hahaha adoro adoro adoro!

    E o Levithan… como eu te falei mais cedo, os livros dele com a Rachel Cohn são maravilhosos (eu fiz resenha pra Dash & Lily’s Book of Dares). Até hoje só li dois dele sozinho: The Lover’s Dictionary (uma história de amor contada em ordem alfabética), e Everyday – que é simplesmente perfeito e eu preciso fazer uma resenha. Ele tem outros mais antigos que estão na minha lista de leitura, e é CLARO, ele é o editor de THE RAVEN BOYS que é um daqueles livros que todo mundo simplesmente tem que ler, tem que ler, tem que ler porque, perfeição! Dá uma fuçada pra ver os livros que ele ajudou a editar, todos maravilhosos! De qualquer forma, você pode descobrir mais sobre ele aqui: http://www.davidlevithan.com/index.php

  • Karen disse:

    Obrigada, Parceira! *_*
    Eu ri muito com esse livro também. Mas quando eu terminei fiquei toda emocionada e senti maior saudade dos personagens, a gente se apega muito a eles. Ahhhh o Tiny, o Tiny! Ele é demais!
    Sim, sim, sim, eu vou ler The Raven Boys! Vou lá ler essa resenha que tu falou e faça sim a resenha de Everyday! Mas fiquei curiosa por The Lover’s Dictionary que tu falou, porque essa ideia é GENIAL!

  • Carolina disse:

    Oi Karen, tudo bem?
    A sua resenha é apaixonante. Já estava curiosa para realizar a leitura, mas após ler a resenha, certeza de que o livro está nos meus desejados.
    Parabéns.
    Beijos

  • Karen disse:

    Obrigada, Carol! =)
    Pode ler que o livro é muito bom mesmo, você vai adorar!
    Beijos!

  • Ana disse:

    Para começar, me amarro em nomes assim, pode parecer tosco mais gosto. Além disso, gosto de protagonistas masculinos!
    Então provavelmente vou gostar desse livro!
    Beijos,Ana.
    http://umlivroenadamais.blogspot.com.br/

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  • Maristela G Rezende disse:

    Eu achei a história muito original, pois encontrar dois adolescente com o mesmo nome e faze-los conhecidos entre si, é mesmo uma obra prima. Amei cada pedacinho do livro. Recomendo é claro. Sua resenha está maravilhosa.

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