Semana especial “A menina que roubava livros” – Crianças e a guerra

Em parceria com a Editora Intrínseca, estamos participando da Semana especial “A menina que roubava livros“, de Markus Zuzak! E no post de hoje, vim falar um pouquinho com vocês a respeito de livros sobre crianças e a guerra.

Para quem ainda não leu A menina que roubava livros (resenha aqui), ele é um livro cuja trama se passa antes e durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha Nazista. A história, é claro, vai muito além disso: para começar, a narradora é a própria Morte, que fica impressionada com uma menina chamada Liesel, que escapa dela três vezes. Mas, é claro, temos uma grande visão desse período horrível da nossa história, acompanhando a história de uma criança que perde tudo, mas não o amor pela leitura, mesmo em uma época em que livros eram queimados e pessoas, perseguidas.

Guerras são sempre períodos tristes e sombrios da história humana, e as crianças talvez sejam as que mais sofram. Em um mundo ideal, conflitos bárbaros jamais deveriam acontecer e ninguém deveria passar por isso, mas a coisa toda é ainda mais horrível e impactante quando pensamos nas crianças. Em épocas como essas, sua infância é roubada; elas perdem às vezes os pais, às vezes toda a família, às vezes tudo, até a vida. Mas, além dos horrores e da tristeza, livros que retratam a guerra também mostram valores como coragem, amor e amizade.

É doloroso ler obras como estas, mas necessário. Como leitores, somos capazes (ao menos em teoria) de desenvolver empatia, e histórias como essas são importantes para nos tocar e nos ensinar o que devemos e o que não devemos fazer. Com elas, podemos entender um pouco mais períodos brutais da humanidade e aprender a não repeti-los, compreendendo como regimes totalitários como o nazismo e o fascismo cresceram. Em A menina que roubava livros, por exemplo, temos uma visão interna da Alemanha àquela época, tanto dos alemães que se deixaram levar pelos ideais torpes de Hitler, quanto das pessoas que resistiram e que sofreram por isso.

John Boyne é outro autor brilhante que aborda muito esses períodos em suas obras, como no aclamado O menino do pijama listrado, no qual retrata a amizade impossível entre um menino judeu e um menino alemão através, literalmente, da cerca de um campo de concentração. Mas, além dessa obra inesquecível, também há outros títulos do autor que retratam tanto a Segunda quanto também a Primeira Guerra Mundial como O menino no alto da montanha (resenha aqui) e Fique onde está e então corra! (resenha aqui). Todas elas são emocionantes e é impossível não terminar com o coração aos pedaços aos acompanhar as vidas dessas crianças.

Já na duologia Lobo por Lobo (resenha aqui) e Sangue por Sangue (resenha aqui) temos uma história que se baseia na pergunta sombria: “E se Hitler tivesse vencido a Segunda Guerra Mundial?”. Em uma ficção perturbadora, a autora Ryan Graudin imagina cobaias judias dos experimentos nazistas adquirindo poderes, e a protagonista, Yael, uma adolescente metamorfa, tem a missão de tomar a forma de outra pessoa e assassinar o próprio Führer. Durante os dois livros, a sensação que nos acompanha é de horror ao pensar o que aconteceria se os Aliados tivessem perdido a guerra.

(O que também nos faz pensar: e se os ideais totalitários e fascistas ainda tiverem território para florescer? E se formos surpreendidos por horrores como esses nos próximos anos ou gerações? Será que aprendemos?)

Outra obra que revisita o período da Segunda Guerra Mundial é o segundo volume da série O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Em Cidade dos Etéreos (resenha aqui), algumas das cenas que mais chocam e emocionam é quando os peculiares viajam para esse período, em meio a um bombardeio, e encontram crianças peculiares sendo feridas de maneira brutal e mortas em meio ao conflito.

É triste, é pesado, falar desse assunto. E utilizar o ponto de vista das crianças é ainda mais aterrador, uma vez que é terrível demais pensar no sofrimento durante uma guerra daqueles que mais deveríamos proteger. É perturbador, principalmente, saber que crianças em todo o mundo ainda sofrem por causa do conflito armado entre adultos, homens que não se importam com vidas perdidas, apenas com terras, poder e dinheiro. Vivemos em um mundo triste, no qual falta amor, empatia, respeito. Mas por isso mesmo devemos botar o dedo na ferida e falar desses assuntos para, assim, compreendermos melhor nossa história e nos esforçarmos para não repeti-la.

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  • Evandro disse:

    A violência e o horror das guerras sempre nos marcam de alguma forma, mas quando encontramos crianças em meio a esses conflitos, ficamos com o coração na mão. Alguns livros citados ainda não li, mas fiquei bem interessado. Vou conferir as resenhas.

  • Larissa Zorzenone disse:

    Olá
    Eu amo muito o livro A menina que roubava livros. Pra mim, é um dos melhores livros já escritos até hoje. Eu tenho uma sensibilidade muito grande quando se trata de guerra, qualquer que seja. Teve um livro, pouco conhecido, que li ha alguns anos que é incrível: o diário de Zlata. É o diário de uma menina tentando sobreviver ao período de guerra com sua família. É uma vibe meio O diário de Anne Frank. Vale a pena.
    Um dos maiores medos da minha vida, é uma terceira guerra mundial. Me arrepia só de imaginar.

    Vidas em Preto e Branco

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