Semana Especial da Mulher: Irmãs Brontë

Anne, Emily e Charlotte
(Fonte: Wikipedia (Quadro do National Portrait Gallery de Londres, pintado pelo irmão, Patrick Brontë))

A lista de autoras incríveis ao longo da história é bem longa. Mas quero aproveitar o tema da semana para falar aqui dessas três mulheres incríveis: Charlotte, Emily e Anne Brontë.

As 3 vieram de uma família britânica de classe média, na primeira metade do século XIX.
Os pais eram bem instruídos e os 6 filhos tiveram acesso a uma boa educação.
Infelizmente, a mãe morreu aos 38 anos de câncer de útero e as 2 filhas mais novas tinham pouca ou nenhuma recordação da mãe.
As  2 irmãs mais velhas também morreram, com apenas 10 e 11 anos de idade, com 1 mês e 9 dias de diferença entre as mortes. Ambas morreram de tuberculose.
A irmã da mãe ajudou o pai a criá-las.
O pai se responsabilizou pela educação dos filhos, mas também os paparicava. E tinha algumas opiniões bem pessoais sobre teorias da educação.
Todas estas questões afetaram a escrita destas 3 autoras.
Quando resolveram se aventurar pelo mundo literário inicialmente as três utilizaram pseudônimos masculinos (Charlotte [Currer Bell], Emily [Ellis Bell] e Anne [Acton Bell]), muito provavelmente para protegerem sua privacidade, mas também porque tratavam de temas e escreviam de uma forma digamos “inadequada” para mulheres na Era Vitoriana. (Não vou me aprofundar aqui em uma aula de história, mas se você gosta de literatura e filmes de época, pesquise no google sobre a Era Vitoriana. Você vai aproveitar muito mais os livros e filmes passados nesta época!)
Enquanto alguns apontavam características que indicariam que os irmãos Bell na verdade eram mulheres, outros tinham certeza que realmente eram homens, afinal seria uma audácia mulheres escreverem daquela forma. Mas pouco tempo depois elas “saíram do armário” e logo estavam frequentando os círculos literários.

Gente, eu queria muito detalhar a vida de cada uma dessas mulheres, mas isso aqui ia virar quase um livro. Mas #ficaadica para vocês pesquisarem mais a fundo caso se interessem!

Charlotte foi governanta por um tempo e seu primeiro romance, The Professor, nem chegou a ser publicado na época (foi publicado após a sua morte). Mas seu sucesso como escritora veio com seu segundo romance, Jane Eyre, considerado um clássico da literatura.
O livro foi publicado inicialmente em 1847 e no início foi um sucesso. Mas quando começaram as especulações se havia sido escrito por um homem ou uma mulher, as coisas mudaram um pouco de figura. Mas é claro que quando o livro foi considerado “impróprio” aí mesmo é que fez sucesso, né! hehe
Infelizmente ela não teve muito tempo para curtir o sucesso e deixou apenas 4 romances completos, morrendo 8 anos após a publicação de Jane Eyre, provavelmente devido a problemas relacionados à gravidez.

Atualmente, existem muitas publicações diferentes dos livros das Brontë. Por isso, peguei as capas (que achei lindas!) e sinopses aleatoriamente no Skoob para que quem ainda não leu, possa ter uma ideia do que se tratam.

Jane EyreJane Eyre, romance de estreia da consagrada e renomada escritora inglesa Charlotte Brontë, narra a história de vida da heroína homônima. Quebrando paradigmas e criticando a realidade vitoriana da época, Jane Eyre desafia o destino imposto às mulheres e as posições sociais que elas deveriam ocupar. Recheado de características góticas, o romance possui personagens inesquecíveis e transformadores, como a figura do misterioso Rochester, patrão de Jane e peça vital da narrativa. (Fonte)

 

Depois, foi a vez de Emily, com seu incomparável O Morro dos Ventos Uivantes. Ame-o ou atire-o cômodo afora! Eu amo! E tenho uma palavra para descrevê-lo: visceral! Foi um dos poucos livros que li mais de uma vez e acredito que em algum momento vou voltar a lê-lo!
Mas desde o início as críticas foram assim. Muitas reconheciam a obra como original e cheia de imaginação. Mas muitos críticos a acharam, no mínimo, desconcertante.
Encontrei algumas críticas muito interessantes no Wikipedia em inglês e vou traduzir pra vocês terem uma ideia do que estou falando.

A revista Graham’s Lady Magazine escreveu: “Como um ser humano poderia tentar ler um livro como este sem cometer suicídio antes de ter terminado uma dúzia de capítulos, é um mistério. Ele é um misto de depravação vulgar e horrores sobrenaturais”.

Na verdade, ele é “só” um misto de Romantismo (o estilo literário) e ficção gótica.

O poeta e pintor inglês Dante Gabriel Rossetti admirou o livro, escrevendo em 1854 que ele era “o primeiro romance que li em uma era e o melhor (em relação ao poder e estilo profundo) em duas eras, exceto por Sidonia“, mas, na mesma carta, ele também se referiu a ele como “um livro demoníaco – um monstro incrível […] A ação se passa no inferno, – a diferença é que lá os nomes dos lugares e pessoas são em inglês. (Fonte)

Ah, vai! Depois dessas críticas tenho certeza que muitos de vocês vão ficar morrendo de curiosidade!

O Morro dos Ventos Uivantes

O Morro dos Ventos Uivantes (1847), obra-prima da inglesa Emily Brontë, é um dos grandes clássicos da literatura mundial. Adaptado para o cinema inúmeras vezes, a história do amor intenso e turbulento entre Cathy e Heathcliff continua a arrebatar os leitores década após década. A narrativa se desenvolve na região inóspita onde se encontra a mansão que dá nome à obra, e possui traços góticos que aproximarão o leitor moderno. Cathy e Heathcliff desenvolvem, logo que se conhecem, uma afinidade que ultrapassa as convenções sociais, as diferenças de gênero e até a morte. (Fonte)

Emily sempre teve a saúde debilitada e sempre foi muito apegada ao lar e à família. Apesar de ter se tornado professora aos 20 anos, a saúde e a saudade fizeram com que ela voltasse para casa, onde ela cuidava das coisas da casa, escrevia e revisava seus poemas. Ela morreu aos 30 anos, de tuberculose, deixando apenas um romance. O restante de sua obra são poemas.

 

E, finalmente, temos a menos conhecida Brontë (mas não menos reconhecida no mundo literário), Anne.
Anne era a mais nova das 3 e foi a última a ter sua obra reconhecida, apesar de ter tido seu livro Agnes Grey publicado junto com o livro de Emily, O Morro dos Ventos Uivantes.
Sua segunda obra, A Senhora de Wildfell Hall, fez sucesso inicialmente, apesar de que, na época, foi considerada inferior a Jane Eyre, mas menos desagradável que O Morro dos Ventos Uivantes.
Por ir contra muitas convenções da época e por sua personagem apresentar um comportamento considerado contra a lei à época, o livro passou a ser muito criticado de forma negativa.
Até mesmo a irmã Charlotte achou que o tema foi mal escolhido e que Anne tinha pouca vivência de mundo para escrevê-lo. E por isso, proibiu que continuasse a ser publicado após a morte de Anne, em 1849, aos 29 anos, também de tuberculose. A Senhora de Wildfell Hall só voltou a ser publicado em 1854.
Hoje é considerado uma obra feminista, ao lado de Jane Eyre e outros.

A Senhora de Wildfell Hall

Clássico da literatura inglesa, considerado o primeiro romance feminista, em edição integral.

Filha mais nova da família Brontë, Anne era irmã de Emily Brontë, autora de O morro dos ventos uivantes, e de Charlotte Brontë, autora de Jane Eyre – livros clássicos e reeditados até hoje. Anne Brontë desafia as convenções sociais do século XIX neste romance, A senhora de Wildfell Hall. A protagonista da obra quebra os paradigmas de seu tempo como uma mulher forte e independente, que passa a comandar a própria vida. Ao chegar à propriedade de Wildfell Hall, a Sra. Helen Graham gera especulação e comentários por parte dos vizinhos. O jovem fazendeiro Gilbert Markham, por sua vez, desperta um grande interesse pela moça e, aos poucos, vai criando uma amizade com ela e com seu filho. Porém, os segredos do passado da suposta viúva e seu comportamento arredio impedem que o sentimento nutrido pelos dois se concretize, fazendo com que Gilbert tenha dúvidas sobre a conduta da moça. Quando a Sra. Graham permite que ele leia seu diário a fim de esclarecer os fantasmas do passado, o rapaz compreende os tormentos enfrentados por aquela mulher e as razões de suas atitudes. Ela narra sua história até então, desde a relação com um marido alcoólatra e de conduta abominável até a decisão de abandonar tudo em nome da proteção do filho. (Fonte)

#ficaadica são 3 clássicos da literatura que merecem uma vaguinha na sua estante/seu kindle/seu celular/seu computador ou qualquer outro dispositivo que você use para ler!

E parabéns, de novo, para nós mulheres, porque somos INCRÍVEIS! 😉

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