Semana especial de “Tartarugas até lá embaixo”: Vamos falar sobre TOC e distúrbios mentais?

Observação: Esse texto foi escrito por duas pessoas. Os comentários em azul foram escritos pela Drika!

O tema principal do livro “Tartarugas até lá embaixo” é o Transtorno Obsessivo Compulsivo, popularmente conhecido pela sigla TOC. O TOC é uma doença mental caracterizada por pensamentos e medos irracionais (obsessões) que levam a comportamentos compulsivos. Estima-se que cerca de 4 milhões de brasileiros sofram com a doença e assim como outras doenças mentais ela é muitas vezes classificada pela população em geral apenas como uma “frescura”. Mas não, não é. Os sintomas podem interferir em todos os aspectos da vida, como nos relacionamentos pessoais, no trabalho ou na escola, e isso foi belamente descrito no livro do John Green. Aza, a protagonista, tem um dos “tipos” mais comuns de TOC que é o medo de microrganismos e contaminações, mas existem diversos outros, como preocupação excessiva com a limpeza, revisar inúmeras vezes se as portas estão fechadas antes de sair, deixar objetos em uma ordem perfeita… Pois é, eu acho que muitas pessoas vão acabar se identificando com essa lista (eu mesma tenho uma mania enorme de conferir se a porta está fechada). Mas a principal diferença é que uma pessoa com TOC não consegue controlar os seus pensamentos nem as suas atitudes, mesmo tendo a noção de que eles são excessivos.

O que talvez muitas pessoas também não saibam é o motivo que levou John Green a escrever esse livro. Ele não é uma autobiografia por motivos óbvios, mas o autor foi diagnosticado com TOC e ansiedade há bastante tempo e ele usou toda essa bagagem na escrita desse livro.  Ele tinha aproximadamente 6 anos quando ele começou a notar os pensamentos obsessivos. Ele tinha medo que a comida estivesse contaminada e por isso só comia alguns tipos de comida em momentos específicos do dia. Conforme ele foi crescendo, ele conseguiu controlar a ansiedade, com terapias e medicamentos. Porém, assim como Aza diz no livro, essa é uma doença que a pessoa nunca vai ser curada e durante toda a sua vida os pensamentos obsessivos vão voltar várias vezes. Uma das vezes em que ela voltou foi quando ele tinha 24 anos e escrevia resenhas de livros. Ele entrou em um quadro de depressão tão profundo que não conseguia comer e ele só bebia Sprite durante o dia todo. Algumas vezes ele não conseguia nem levantar do chão da cozinha.

John Green ficou tanto tempo para escrever um novo livro porque a ansiedade acabou retornando após o sucesso de “A culpa é das estrelas”. Ele não conseguia mais escrever porque achava que nunca iria escrever um livro tão bom quanto aquele e algo que era prazeroso se tornou um imenso pesadelo. Quando se estabilizou,  ele disse que não conseguia escrever sobre outra coisa: o tópico exigiu que fosse escrito, e assim nasceu “Tartarugas até lá embaixo”. Mergulhar nos pensamentos de Aza é, na verdade, mergulhar na cabeça de uma pessoa que verdadeiramente tem TOC e tentou passar para o papel uma espiral de pensamentos da qual a pessoa não consegue fugir.

Eu tenho algumas “manias”, mas que não chegam a ser TOC (eu acho!). Não aguento ver a etiqueta do cobertor ou do lençol virada para mim e se percebo isso depois de já estar deitada, mesmo que seja uma noite congelante, eu me levanto e re-arrumo a cama. Também sempre ando com álcool gel e uso toda vez que entro em contato com balcões, corrimãos, transporte público, ao sair do banheiro do escritório só abro a porta com papel toalha pra não pegar na maçaneta e coisas assim. Mas acho que é higiene excessiva. Não tenho medo de pegar nada. É só nojo mesmo! 

Em compensação, há mais de 10 anos faço acompanhamento devido a um transtorno chamado Distimia. Vulgarmente conhecida como a doença do mau humor. Mas ela é muito mais do que isso. A distimia é uma forma de depressão crônica e, além do mau humor, afeta a autoestima, que chega a ser inexistente, e outras coisas. Você não vê graça nenhuma em si e nem na vida. Devido à distimia, em mais de um momento na vida, fiquei obcecada por ideias e planejamentos suicidas. Fui diagnosticada aos 20 e poucos anos. Fiz vários anos de análise e faço acompanhamento com psiquiatra e uso de medicação. E, sim, levo uma vida normal. Muito mais saudável para mim e para as pessoas que me cercam! 

Infelizmente muita gente ainda teme ser tachado de louco. “Não sou louco, pra que preciso de psiquiatra?” E muita gente que está de fora (colegas, amigos e familiares) não entende e acha frescura. Mas se você sente que não está no controle da situação, se percebe que tem coisas que te impedem de ter uma vida mais de bem com você mesmo, procure ajuda! Procure o apoio das pessoas próximas a você. Alguém, que entendendo ou não, vai ficar do seu lado e te ajudar a buscar ajuda. Quer seja TOC, ansiedade, depressão ou qualquer outro transtorno, tem sempre uma luzinha lá no fim do túnel. Pode acreditar! 

 

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  • Daiane Nunes Quinelato Marinho disse:

    Eu ainda não tive a oportunidade de ler esse livro, mas tenho muita curiosidade para conhecer melhor o enredo. Muita gente não dá atenção ao TOC, como você mesma diz, para alguns isso é frescura. Mas assim como a depressão, ela é uma doença sim. O texto está lindo e tenho certeza que muitas pessoas vão se identificar. Eu tenho mania (acho que são manias apenas rs) de verificar se o gás está desligado, se a porta está fechada na hora de dormir ou de sair, se deixei alguma coisa na tomada, como por exemplo a chapinha, e não consigo dormir com a roupa de cama embolada. Rs

    Beijos!

  • Ivi Campos disse:

    Que post legal!!!
    Ainda não li o livro que te inspirou a falar do assunto, mas sei o quanto é original e interessante ser conversado, discutido e sobretudo, respeitado.
    Amei sua iniciativa.

  • Jessica disse:

    Oie!
    Eu tô doida pra ler esse livro, pois li os outros quatro dele e só achei dois bons, os outros dois me decepcionaram. Talvez após a leitura desse, acabe perdoando João Verde por me enganar :p

    Um tema muito bacana de ser abordado <3

  • Carla disse:

    Oie!
    Confesso que não são todos os livros do autor que eu gosto, já tentei alguns títulos, mas não funcionaram comigo. Mesmo assim, tenho curiosidade para esse título, e ainda traz um assunto super interessante.
    Gostei muito do que trouxe nesse seu texto.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

  • Milena Soares disse:

    Nossa, eu tenho várias manias, que já até pensei que fossem TOC e também já tive crises de ansiedade, na verdade sou uma pessoa ansiosa por natureza, mas teve uma época que estava demais comecei até apresenta dores no peito e insonia, fiz um tratamento alternativo com fitoterápico e graças a Deus hoje em dia minha ansiedade está sobre controle.

  • Shadai disse:

    A primeira parte do post fez eu me interessar mais um pouco pelo livro, do que a história em si.
    Felizmente, não tenho toc, nem sofro de ansiedade, então não tenho o que comentar a respeito, e muito menos julgar!

  • Joyce disse:

    Ola lindona amei a postagem informativa, sempre é bom aprender mais sobre assuntos como esse que atinge muitas pessoas, não sabia que o livro tinha esse tema, confesso que não gosto muito da escrita do John mas vou arriscar nesse livro. beijos

    Joyce
    Livros Encantos

  • Dayhara Ribeiro Martins disse:

    Me senti tão abraçada por esse post que nem consigo comentar direito, primeiro, eu não sabia que ele havia demorado tanto pra escrever outro livro por conta do quadro de depressão reaparecer, realmente o sucesso traz esse tipo de pressão enorme o que é uma pena, mas ao que tudo indica, o sucesso do novo livro ta garantido! Faço tratamento psicologico e psiquiatrico a um bom tempo e é muito bacana quando vemos nossas peculiaridades tratadas com tanta veracidade assim, obrigada pelo post!!

  • Gaby Marques disse:

    Ai gente, eu PRECISO ler esse livro! John Green é um dos meus autores favoritos e mal posso esperar para conferir esse, que é seu livro mais pessoal. Eu fui diagnosticada com depressão há alguns anos e sofro de ansiedade e agorafobia. Todo dia é uma luta diferente. Sobre as manias, eu não gosto de ser tocada de “surpresa”, o que atrapalha e muito minha vida; felizmente tenho amigos compreensivos que me apoiam e não me julgam. Acho que uma das coisas mais difíceis que um ansioso/depressivo precisa lidar é com a ignorância da maioria das pessoas sobre o assunto. Tenho certeza que esse livro irá abrir a mente de muita gente <3
    Adorei seu post!!!
    Beijos

  • sabrina nunes miranda disse:

    Oi!
    Achei muito importante o post de vocês, tanto para falar mais um pouquinho sobre essa doença tratada no livro que também afeta o autor quanto as reflexões sobre nos tratarmos e tirarmos o tabu que quem vai em psiquiatra é louco.
    Se as pessoas se cuidassem mais, procurassem um médico ao pequeno sinal de uma doença o mundo seria bem melhor e teríamos uma qualidade de vida aburdamente melhor

  • Thayenne disse:

    Olá,

    Apesar de ser um dos meus autores favoritos, ainda não tive o prazer de ler esse livro, quero muito! Realmente é muito difícil uma pessoa ter apoio sincero quando se trata de uma doença mental, há anos lido com a depressão e nem eu mesma entendo a doença, acho que a discriminação é causada por falta de informação e de pessoas que a procurem. Enfim, gostei muito de sua postagem!

    Beijos,
    oculoselivrosblog.blogspot.com.br/

  • Cristiane de oliveira disse:

    Muito boa suas palavras nesse post, eu tinha a mania de colocar tudo com a etiqueta virada para frente, e arrumado por cores, uma loucura total era minha vida, mas sabe aquele pedido especial para Deus funcionou e parei com isso.
    Muito bom que achou tratamento as pessoas não sabem nada do que a outra pessoa, tem muita coisa que existe a e a gente não sabe.

  • Pedro disse:

    Oie, olha eu ouvi falar tanto desse livro que eu estou doido para lê-lo, ainda mais quando fiquei sabendo do real assunto que ele aborda. Tenho certeza que irei me sentir abraçado com ela e se tornará um livro que irei favoritar pra vida toda. Disturbios mentais realmente são assuntos que necessitam ser falados, pois não da pra passar essas coisas batido com tanta coisa acontecendo né?
    Amei o post <3

  • Sabrina Piano disse:

    A neurose obsessiva é coisa séria, faço psicologia e sei o quão uma doença mental desse tipo (assim como todas as outras) pode desestabilizar uma pessoa em um estalar de dedos, muita gente pode pensar que é frescura, muita gente pode sair por ai dizendo que tem toc quando na realidade tem manias. O TOC é algo que quem tem não consegue ter uma vida normal, os pensamentos obsessivos tomam controle de você, são você. É uma doença séria e que pode levar a outras, como a depressão que acomete milhares de pessoas no mundo todo. As pessoas que tem, devem aprender a conviver com sua doença, porque como no caso do John Green, ela pode ser estabilizada, mas ainda mais importante, é que as pessoas tem que começar a abrir a mente e deixar de ter preconceito de que quem vai ao psiquiatra ou psicologo é louco. É por conta desse tipo de preconceito que ocorrerem tantos “suicidios mentais”.

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