Terça Livre: A comunidade tóxica do GTA Online

Faz tempo que eu não venho aqui numa Terça Livre falar com vocês. Bem, só posso dizer que a vida está acontecendo, o desânimo está batendo e o final de ano está chegando. Desculpas? Sim. Então por isso hoje resolvi botar vergonha na cara e escrever alguma coisa. E por que não falar de games?

Sim, eu sou uma gamer, uma dentre as muitas mulheres que amam jogar videogames, mas odeiam a comunidade tóxica, machista e homofóbica. Mais de 50% de quem compra games no Brasil são mulheres e, no entanto, ainda há essa ideia ridícula de que jogos não são coisa para garotas – e há quem ainda fique fazendo a separação ridícula entre “games de verdade” e os outros, como os games de celular etc. Eu nem vou entrar nesse mérito, porque acho uma baboseira sem tamanho. Para ser gamer você joga o que quiser, onde quiser, e ninguém tem nada a ver com isso, não tem que ter essa patrulha dos games. É a mesma idiotice quando começam a falar de livros e de qual leitura é melhor que a obra.

Quer saber? Vai se fuder quem fala isso, e tenho dito.

Resolvi falar de GTA – mais especificamente GTA V, que é o que eu jogo atualmente no meu PS4. No modo online, você pode criar um personagem, personalizá-lo e ser uma bandida ou bandido nas ruas de Los Santos. É possível desde roubar carros (duh, é o nome do jogo) até fazer missões e corridas. Mas o que os jogadores mais fazem? Se você disse “matar uns aos outros” acertou. Como acontece no bom e velho Estados Unidos (ahá, olha a crítica social aí!). E, aliás, como logo, logo vai acontecer aqui no Brasil.

O fato é que comprar armas e munição é muito fácil no GTA – sempre foi – e faz parte do jogo. Mesmo você sendo um pobreta já pode comprar muita coisa e sair atirando por aí. É útil nas missões, é claro, mas o que os jogadores gostam de fazer é sair atirando uns nos outros sem limite. E quando digo “sem limite” é porque tem uns caras (e vou colocar assim mesmo, “caras”) que encarnam em você e resolvem simplesmente que querem te matar O TEMPO TODO até você encher o saco e abandonar a sessão.

Sim, isso existe. Jogadores simplesmente não vão com a sua cara (será que tem algo a ver minha personagem ser uma MULHER? #ironia) e começam a te matar. Isso pode ser feito do jeito que (eu) acho mais justo: no mano a mano, com pistolas e metralhadoras, ou do jeito que é patético, ou seja, usando artifícios como A MERDA DE UM TANQUE BLINDADO COM BOMBAS E DUAS OU MAIS PESSOAS TE PERSEGUINDO. Sim, isso também ocorre. E enche o saco. Muito.

É claro que eu nunca tive certeza se o fato da minha personagem ser uma mulher é fator determinante (não ligo o microfone, não gosto de ficar falando com os outros online – quem sabe por que a gente vê tantos casos de mulheres sendo menosprezadas, humilhadas e xingadas online, não é mesmo? #ironia2), mas que contribui, disso tenho certeza. E nem digo apenas pela minha experiência (que obviamente já é válida por si só), mas porque divido o controle e a personagem com meu marido, e ele sente o mesmo. É até um exercício para ele, homem, passar por esse machismo nos games apenas porque joga com uma personagem feminina.

Há muito mais toxicidade na comunidade além disso. Existe muita falta de união e parceria, o que afeta inclusive o desempenho nas missões; algumas precisam ser realizadas em equipe, e quem disse que você consegue obter sucesso se não tiver toda a equipe com amigos ou pessoas conhecidas? A coisa simplesmente não dá certo, porque é “cada um por si”. E até nas corridas você sente a sacanagem, porque não há uma única corrida (exceto as fantasmas) que algum desgraçado não bata no seu carro só por diversão e te faça rodar, sendo que na maior parte do tempo DÁ SIM para passar no braço, só com a habilidade de motorista.

A Rockstar alimenta esse comportamento? Sim. A todo momento há atualização de novos carros, tanques, armamento e bombas. Mas isso é a vida, não é? As coisas estão aí para serem utilizadas; a maneira como fazemos isso diz mais sobre nós mesmos, nosso caráter, do que qualquer outra coisa.

É um saco, mas mais triste é perceber que os games – que universos como o de GTA – são miniaturas do que acontece aqui fora, na vida real. E que a barbárie está aí, no coração de todos, limitada apenas por meia dúzia de leis que, quando ninguém está vendo, é muito fácil ignorar. Quando saio na rua, não há um dia que não veja alguém cruzando o sinal vermelho. E atravessar fora da faixa? É comum na nossa sociedade. Todo mundo fura fila, deixa de entregar o troco certo, tira vantagem dos outros.

O ser humano é podre. E os games só revelam isso – com gráficos em HD.

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  • Karini Couto disse:

    Olá. Pois é, a vida está acontecendo, o tempo não para e espera ficarmos bem e dispostos para viver. Ando sentindo na pele o efeito do tempo.. Pois estou com problemas de sausesaúde e aguardando cirurgia. A pior coisa que tem, é esperar, sabendo que sua vida, sua rotina, sua energia e disposição dependem daquilo. Desânimo virou meio que meu sobrenome. Mas sigo tentando aguentar a barra da espera e das diversas impossibilidade que a saúde me trava.

    Que bom que resolveu vir e falar sobre você, sobre o wue gosta e etc.

    Sou viciada em the sims, além de uns joguinhos online.
    Adoro e daí se eu tenho quase 34 anos? Ninguém paga minhas contas, ups, meu marido paga e está de boas com isso, então que se lasque o resto.

    Já joguei muito gta e adoro. Faz um tempo que não jogo e deu até saudades.
    Eu jogava muito League of Legends, mas deu uma enjoada.
    Meu filho (17 anos) segue jogando.
    Estou no Minecraf com a minha filha rsrs

    Sobre seu ponto da falta de União e cada um por si, é uma triste realidade do mundo, seja virtual, original ou gamer, infelizmente.

    Beijos.

    Beijos

  • Karine Fernandes da costa disse:

    Olha para te ser sincera, eu não gosto nada de video game nem nada, não cresci usando isso e quando tive acesso não gostei, achei total perda de tempo, mas essa é minha opinião claro.
    Meu irmão ama, joga o dia todo se deixar. Entendo também seus motivos de desculpa na enrolação, estou no mesmo jeito, kkk. Mas vai passar, são fases.

    beijos

  • Clayci Oliveira disse:

    Revoltante! Confesso que desanimei de jogar por conta disso. Escutava muita merda de machinho escroto, mas acabei desanimando e saindo pq não estava me fazendo bem mentalmente. Meus sobrinhos estão nessa fase de jogar online e vejo a minha sobrinha de 10 anos sofrer preconceito por ser mulher (assim como eu, eles amam fortnite). E desde cedo tenho que trabalhar a cabeça dela para que ela não caia nessas provocações =/ Já dá pra ter uma pequena noção do que essas crianças (que praticam o ódio) convivem dentro de casa =/

  • Cibele disse:

    Gosto muito de games, e achei super interessante o que você trouxe. É sempre válido refletirmos sobre o que passamos.
    Não gosto de ligar o microfone pelo menos motivo que o seu, já vi vários vídeos na internet de mulheres sendo menosprezadas pelo fato de serem mulheres. Algo extremamente triste e revoltante.
    Super válido seu marido jogar com uma personagem feminina, assim ele pode ver que essas coisas acontecem e são reais.
    Gostei muito do seu post, beijos!

  • Victória disse:

    Eu estou pasma com isso. Bem revoltante até.

  • Larissa Dutra disse:

    Olá, tudo bem? Uau, achei ótimo você ter tocado nesse assunto, pois é algo muito importante de ser discutido. Eu não sou uma menina que está no mundo do games, na verdade sempre fico meio perdida quando o assunto é esse, mas sei o machismo existe muito forte nesse quesito e é simplesmente revoltante. Adorei!

    Beijos,
    Duas Livreiras

  • Debyh disse:

    Olá,
    Sei um pouco sobre o machismo com mulheres que jogam por outras pessoas já que não tenho experiência alguma sobre este mundo. E realmente é revoltando o que acontece, mesmo que os número entre nós e os homens sejam praticamente iguais.

  • Beatriz Andrade disse:

    na boa, arrasou no post!
    Eu adoro GTA e todos os jogos nesse estilo. Atualmente estou jogando Infamous (nada a ver, eu sei hahaha) pela segunda vez e adorando de novo! Mas o GTA é mil vezes melhor, não tem nem comparação.

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