Terça livre: Aprendendo novas línguas

Novembro está aí e com isso “JÁ É NATAL NA LEADER MAGAZIIINE” (não sei se tem essa loja em todos os estados mas quem é do Rio entendeu rs). O que isso significa? Que nós começamos a fazer vários planos para o ano seguinte, que podem ser os mais diferentes possíveis. Algumas pessoas podem pensar “Opa, vou começar a aprender uma língua nova”. Mas aí vem várias coisas para puxar a pessoa para trás. “Eu não tenho dinheiro!”, “Fulano disse que eu tenho que fazer intercâmbio para realmente aprender”, “Será que eu vou conseguir?”. Eu mesma escutei várias vezes essa conversa de intercâmbio, que não adiantava nada você aprender uma língua se você não saísse do país. Eu aprendi duas línguas de formas diferentes… E vou contar um pouquinho da minha experiência para vocês.

É importante ressaltar: essas foram as minhas experiências! É claro que com outras pessoas podem ter acontecido nada disso, porém eu resolvi falar sobre esse tema exatamente para quebrar um pouco esse paradigma e mostrar que toda experiência tem os seus pontos positivos e negativos.

1.Inglês

Eu comecei a estudar inglês quando tinha uns 8 anos e eu fiz  um curso completo até o nível Avançado. Eu terminei com uns 18 anos e vocês vão pensar “DEZ ANOS AAAAH!” mas é que quando você começa muito novo o esquema é diferente de quando você começa adolescente, por exemplo. Demora muito mais. Enfim, eu não saí do país em nenhum momento e uma grande parte do curso eu realizei com pouco auxílio da internet. Vocês acreditam que eu gravei um documentário sobre a J.K.Rowling na fita cassete (SIM NA FITA CASSETE) para fazer um trabalho em aula? E quando eu tinha internet, era uma época tão sombria que para abrir um vídeo demorava mil anos. Então eu basicamente tive que me apoiar em duas plataformas para estudar a língua: os livros e músicas.

É claro que como eu era criança e depois adolescente, eu não tinha muito um objetivo em mente. Então eu estudava pra poder passar nas provas e pronto. Ainda durante o curso, como eu sempre gostei de ler, comecei a pegar livros na biblioteca além dos que eram passado em aula. E esse foi um grande diferencial. Foi assim que eu peguei os de Harry Potter e descobri que era difícil, mas eu conseguia ler. Aos poucos eu fui me acostumando a ler em inglês e quando eu percebi, já conseguia ler diversos livros sem dificuldade nenhuma. Eu consigo ler tão bem quanto em português e isso foi ótimo também para aumentar o meu vocabulário.

Eu saí do curso tendo uma noção muito boa de inglês. Sou fluente? Eu acho que essa definição de fluência é algo tão complicado! Eu fiz a prova de Cambridge do nível Avançado (CAE) e passei. Eu sei que cometo muitos erros na língua, mas sinceramente, quem é perfeito? Nem em português que é a minha língua materna! Inglês é hoje uma língua que me sinto confortável em quase todas as competências. Quando eu terminei o curso, eu sabia ler muito bem, tinha um grande conhecimento de gramática e escrevia redações ótimas. Agora escutar e falar… Esses eram os meus grandes problemas. Mas o de escutar eu resolvi de uma forma: assistindo séries em inglês sem legenda. Parece uma coisa boba, mas ajuda muito! No início é claro que não dá pra entender tudo e ainda tem o fato que personagens tem sotaques diferentes… Porém, para aprender qualquer língua tem que ser assim: praticar, sempre! Agora a minha maior dificuldade foi ter alguém para praticar a fala, o que para mim é a aptidão mais difícil de todas até hoje. É o que eu sinto menos confortável de fazer. Eu viajei para fora do Brasil (como explicarei mais pra frente) e eu consegui me comunicar muito bem com as pessoas. Então, apesar de não ser o que eu aprendi melhor, o curso fez o seu papel.

Resumindo: dá para conseguir aprender uma língua em um curso regular. É demorado, com certeza (nunca acreditem em cursos que prometem que você vai sair falando em 6 meses) e a pessoa precisa se empenhar por fora. Eu tenho certeza que se eu tivesse me empenhando mais durante o curso eu teria aprendido muito mais (e é por isso também que não é necessário um curso tão extenso quanto o que eu fiz para alcançar um nível alto). Porém o que não pode é achar que duas horas por semana vão ser suficientes. O bom é que hoje é muito mais fácil de aprender a língua com coisas que a pessoa gosta! Lendo livros, escutando música, assistindo séries, jogando… O único ponto que eu acho difícil de conseguir realmente melhorar é a parte de conversação mas mesmo assim, tem como a pessoa aprender o suficiente para se comunicar bem.

2. Francês


Eu morei um ano na França e previamente eu fiz apenas um ano e meio de curso de francês. Um ano e meio. Eu me empenhei muito por fora do curso porque eu sabia que ia precisar da língua então eu absorvi o máximo que podia. Foi fácil no início? Foi MUITO difícil. Eu sabia o básico do básico e eu entendia quase nada do que eles falavam. Um dia a caixa do Carrefour tentou, tentou me explicar alguma coisa e eu simplesmente não entendia. A França ainda tem aquele problema de que muitas pessoas não sabem inglês então poucas vezes eu pude fugir para essa língua (E todo mundo ficava “Nossa mas o seu inglês é muito bom”, até uma menina inglesa que eu conheci disse isso). Então eu fui obrigada a aprender. Ali e na hora.

No início, quando as outras pessoas conversavam entre si, eu ficava quieta na minha porque entendia poucas palavras. Eu só conseguia conversar quando falavam comigo, porque eles falavam devagar e tentavam me explicar algumas coisas em inglês. Aos poucos, eu fui começando a entender. Fui começando a falar. No final, eu estava até conseguindo falar pelo telefone – algo que eu tinha absoluto desespero, porque sem fazer leitura labial e ter a pessoa na minha frente explicando era quase impossível no início.

Apesar de não ter feito o que podemos dizer um intercâmbio (porque eu não estudei a língua também), fiquei durante 365 dias imersa na língua. E o interessante é que eu não me sinto da mesma forma que o inglês! Eu consegui em um ano algo que eu demorei vários com inglês: eu consigo entender muito bem quando alguém fala a lingua. Eu fiz uma viagem para a Inglaterra e andei naqueles ônibus de turismo e acreditem em mim: eu ficava escutando as explicações em francês porque me sentia muito mais confortável. Eu, que vivia falando inglês ao invés de francês no início! Ler para mim não era dificuldade nem quando eu fui, acho que por causa das semelhanças da língua com português (quando você aprende o básico, fica fácil). Agora escrever… Olha, preciso ser sincera: sei quase nada de gramática e escrever pra mim é um tormento. Eu não consigo pegar um papel e escrever a frase mais simples que seja sem o auxílio de um dicionário/tradutor. E isso na verdade se reflete também porque o meu francês falado não é nada muito consciente: eu não sei as regras então eu meio que repetia o que todo mundo falava. O que é bom, porque você aprende o vocabulário da rua. O que é ruim, porque você comete muitos mais erros. Eu acho que o meu nível de francês falado é “eu sei me virar”. Eu me viro em qualquer situação. E uma coisa que morar fora me ensinou foi que nós não devemos ter vergonha de falar errado. Todo mundo fala do esteriótipo de francês que é grosso com quem não fala a língua e eu nunca tive esse problema (apesar de saber que ele existe) provavelmente porque eu sempre falei o mínimo. Mas algo extremamente positivo deles é que eles não estão nem aí se você está falando francês todo errado: o negócio é se comunicar. E eu sempre tive muita vergonha de falar em outra língua, só que quando você está lá e tem que resolver um problema, sai o que tem que sair. Eles identificavam que eu não era francesa, obviamente, mas era legal que vários falam “Nossa, mas o seu francês está bom, continue assim”. Para vocês terem noção: eu inventava palavras porque achava que era daquela forma… Mas não era.

Resumo dessa Terça Livre porque eu já falei demais: não se prendam a nenhuma condição para aprender uma língua. No mundo ideal, o que aconteceria: nós aprenderíamos a língua em um curso regular e depois iríamos para um país que a utiliza para a colocarmos em prática e aprender mais. Porém nem sempre isso é possível e esse modelo não é necessário para que ninguém aprenda nada. Sabe o que é necessário? A pessoa se arriscar! Eu conheço pessoas que estudaram em casa, viajaram pra fora e não tiveram problemas nenhum para falar/entender. Então se você quiser colocar como meta de 2019 aprender uma língua nova, FAÇA! Nem que seja pra começar no Duolingo. Eu estou fazendo Italiano lá…

Observação: Eu fiquei com bastante dúvida sobre o que falar essa semana, então resolvi abrir para escutar vocês: quais temas vocês gostariam de ler aqui na Terça Livre? Lembrando que o assunto é liberado, pode ser de tudo!

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  • Karini Couto disse:

    Tudo bem?
    Nada melhor do que aprender. Seja línguas ou qualquer coisa nova.
    No momento estou estudando libras e voltei a aperfeiçoar o meu espanhol.

    Eu leio algo em inglês, mas falando sou uma negação.
    Amo o Francês é o Italiano..

    Quando eu comecei o inglês e espanhol eu tinha 12 anos. O inglês ficou de lado depois, eu não sou fã da língua, mas reconheço ser de extrema importância. Tanto que meu filho faz Cultura Inglesa e ano que vem a minha caçula também fará. Mas eu realmente não gosto muito da língua e nem tenho a facilidade para aprender ela em especial.

    Então vou aprendendo outras.

    Pretendo enviar meu filho para intercâmbio assim que for possível, pois ele logo completa 18 anos e terá de se alistar..
    Mas acho importante não apenas aprender a língua, mas vivê-la.. Conhecer a cultura e povo pessoalmente.

    Adorei seu texto, assim não apenas soube do quesito línguas, mas conheci você mais um pouco.

    Beijos

  • João Medeiros disse:

    Olá, tudo bem? Meu sonho é morar na Inglaterra, também estudo ingles pra isso. Morar na França também deve ter sido uma maravilha né? haha. Gostei do blog, também acho que se esforçando a gente consegue aprender bem outras linguas. Abraço!

  • Camila de Moraes disse:

    Olá!
    Eu adoro línguas, acho muito interessante não só o idioma, mas a cultura, uma pena que não é tão acessível sair do nosso país e ir para outros países sem gastar uma pequena fortuna, mas que tem a oportunidade deve ir e se conseguir dominar o idioma melhor ainda.
    Fiz alguns anos de inglês, mas não sou fluente, porém da pra ler algumas coisas.
    Tenho verdadeira obsessão por Alemão e as vezes assisto ou até mesmo pego um pouco para aprender mais sobre algumas palavras, ainda pretendo me dedicar com afinco para dominar essa língua e quem sabe também conseguir ir para lá conhecer mais da cultura.
    Adorei suas dicas e realmente na França deve ter sido um enorme desafio.
    Beijos!

  • Raquel Pereira disse:

    Já falo inglês desde pequenininha, por ter sido criada em partes num ambiente cheio de americanos. Agora tô me lançando no francês, que é meu grande sonho para o próximo ano. Eu ADORO posts sobre línguas, porque pego algumas dicas e descubro experiências de aprendizado de outras pessoas, é legal

  • Cabine de leitura disse:

    Infelizmente não sou uma pessoa com paciência ou talento para o inglês, sou péssima em pronuncias e morro de vergonha de tentar, mas fiz Espanhol por algum tempo e amei, até hoje tenho uma boa noção do idioma, mas ouvi muitas pessoas me dizer que isso não tinha utilidade alguma, já que o mercado só pede inglês. Confesso que coisas assim desanima e fui deixando de lado, acabou que não me dediquei a mais nenhum idioma.
    Aproveitado o ensejo, poderia falar sobre criticas/comentários destruidores que recebemos e acaba nos fazendo desanimar com a caminhada. Tipo, “nossa você engordou”, esse corte de cabelo não combinou com você” ou ” nossa, espanhol não tem serventia alguma”. Tipo isso rsrs.

  • Pollyanna Assis Campos disse:

    Olá, tudo bom?
    Adorei conhecer suas experiências com idiomas! É super legal ver como funciona com outras pessoas e claro, poder aprender com outras vivências também!
    Eu fiz espanhol por cinco anos, em um curso aqui da minha cidade e quando fui para um país em que a língua materna era o espanhol, eu me surpreendi muito com o nível em que estava e com a facilidade em me comunicar. Mas isso se deu só ao curso? Não, foi mais pelo esforço que fiz por fora mesmo rs
    Agora estou tentando aprender o inglês e menina, estou sofrendo! hahaha Curti a dica de adquirir vocabulário através da leitura, vou tentar colocar em prática. Amei demais seu post, de verdade ♥
    Beijos!

  • Ivi Campos disse:

    Apenas para efeito de estatística: não tem Leader em SP… hahahahaha
    Amei o post e saber sobre os idiomas e sua experiencia de vida com eles. Falo ingles porque estudei muito (6 anos de Wizard), mas aprendi espanhol sozinha, graças ao meu amor pela cultura latina. Amei demais o post… já disse isso, né?
    Beijos

  • Leitura Enigmática disse:

    Aprender um idioma é extremamente necessário nos dias de hoje com essa tecnologia toda solta por aí. Eu sempre gostei de aprender novos idiomas e nunca parei e como vc disse, devemos estar sempre praticando, pois é um projeto de longo tempo.

  • Bianca disse:

    Olá ♥
    Acho muito Chic quem fala várias línguas, você acredita que minha prima aprendeu inglês sem cursinho? Ela via vídeo aulas na internet, para poder aprender a pronuncia assistia filmes somente em inglês, escutava podcast, pegava diálogos em inglês. Hoje ela mora nos Estados Unidos. Acho que muita coisa também vai do esforço das pessoas, igual você falou muiita coisa quer puxar a gente pra trás assim como foi com elaa, falavam que ela não ia conseguir, mas quando se tem foco e determinação é outra coisa. Tenho vontade de aprender Inglês, entendo e seu falar algumas coisas, mas não muitas. Adorei acompanhar sua experiencia. Beijos

  • Dayhara Ribeiro Martins disse:

    Bacana você falar da sua experiencia! Eu sempre fugia de aprender ingles quando mais nova, principalmente porque a pegada é mais lenta ne? Hoje eu vejo como isso me faz falta, aprender mais velha parece ser mais complicado… Uma pena.

  • Jessica Christina Soares dos Santos disse:

    Oie, tudo bom?
    Cara, meu sooonho morar na França! Imagino o quão lindo deve ser!
    Eu tenho um carinho enorme pelo idioma, falo inglês desde os 11. Falo entre aspas, porque na época eu entendia tudo e sabia ler e ouvir, mas não tinha muita habilidade escrevendo e falando. Com 14/15 comecei a fazer um curso pra melhorar essa parte, mas estudava muito por fora em sites como o busuu e via tudo que podia legendado. Série, filme, músicas de lá… É uma delícia!

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