Terça livre: O drama dos clichés

Alguns dias atrás um assunto chamou a minha atenção no twitter. Eu não sei como que ele começou (sério, está difícil acompanhar os dramas literários, é um atrás do outro) mas várias pessoas estavam postando sobre a utilização de clichés em livros. Como isso é algo que eu adoro, resolvi comentar sobre ele nessa Terça Livre. Eu sei que esse é um assunto bastante delicado e por isso eu gostaria só de ressaltar que essa é a minha opinião. Eu entendo e respeito as pessoas que não gostam de clichés.

No dicionário, uma das definições de cliché é “Frase repetitiva e sem originalidade; expressão que peca pela repetição, pelo lugar-comum; banalidade repetida com frequência”. No caso, o que estava sendo discutido mais detalhadamente era a utilização de cenas que são comuns em inúmeros livros (só tocando rapidamente no assunto de “frases repetitivas”, essas eu acho que o autor pode realmente tentar evitá-las). Eu já falei isso aqui em inúmeros ocasiões: eu AMO clichés em livros de romance. É claro que para ser escrito um bom enredo não basta só fazer uma salada de clichés e achar que essa é uma fórmula do sucesso. É por isso que eu acredito que, apesar de ser um lugar-comum, não é nada fácil de ser bem utilizado. O autor tem que saber como trabalhar da melhor forma possível para o leitor não ficar “nossa, já li isso 39430481204 vezes exatamente dessa forma” ou “mas por que colocar esse cliché se ele não ajuda em nada na história?”.

Mas como assim? Cliché não é sempre sem originalidade? Não é só uma mera repetição?

É aí que está a principal questão: usar um cliché não significa que você não vai ter que ser criativo. Chega um momento que tantos livros foram escritos que vários vão ter temáticas parecidas, mas isso não significa que eles são exatamente iguais. E é aí que está a beleza do cliché: você pegar algo que é de conhecimento de todos e transformá-lo em algo com a sua cara. Claro que com isso tem clichés que acabam cansando, principalmente quando o mercado resolve explorá-lo até a exaustão (alguém se lembra da época do cliché “romance vampiro/humano”?). Mas mesmo assim, se formos analisar diversas obras dessa época, elas são diferentes.

Vou dar um exemplo mais restrito para ficar mais fácil: eu amo aquele famoso cliché em que os protagonistas acabam se encontraram em uma situação que vão se hospedar em algum lugar e ooops, só tem uma cama.E AGORAAA?

Isso realmente é super batido, né? Mas cada enredo pode ser diferente:

1.Como eles chegaram nessa situação? O carro quebrou? Apocalipse zumbi? O apartamento da pessoa X está completamente inundado e tem que ir se hospedar com a pessoa Y? A pessoa X estava passando mal e não queria ficar sozinha?

2. AAAH SÓ TEM UMA CAMA! E agora? A pessoa X vai se oferecer para deitar no sofá/chão? Como que os dois vão acabar na mesma cama? Vai ficar só na tensão sexual? Eles vão se beijar? Vai rolar algo mais? E depois? O romance vai evoluir ou eles vão fingir que simplesmente aquela noite não aconteceu?

Tem alguns clichés que eu fico muito animada quando chego na cena e quero ler logo para saber o que acontece! E tem livros é claro que o próprio enredo geral já é um cliché. Vou citar o primeiro que veio na minha cabeça (tirando o romance entre vampiro e humano que eu disse anteriormente) que é o “garota que não sabia acaba virando princesa”. Isso aconteceu em Diário da Princesa, da Meg Cabot e Simplesmente Ana, da Marina Carvalho. E esse é mais um exemplo que um cliché pode ser trabalhado de duas formas completamente diferentes e com um toque ainda mais especial: em Simplesmente Ana é uma brasileira passando por essa experiência. Eu amo a série da Meg mas é claro que no livro da Marina eu tive uma identificação ainda maior. Ela sente falta da comida mineira!

E isso nos leva a um ponto que foi bastante discutido no twitter: o cliché tem que ser para todos. Existem inúmeros livros que tratam do cliché “melhores amigos para namorados”, é verdade, mas e com um casal homossexual? Será que eles não merecem um livro em que eles se identifiquem ainda mais? É esse o cliché principal de “Ele: Quando Ryan conheceu James” que eu resenhei. Ele tem muito pontos semelhantes com outros livros que eu já li, mas em outros ele é completamente diferente.

Enfim, eu não acho que cliché necessariamente seja positivo em todos os gêneros literários. Eu gosto muito em romance mas em mistério, por exemplo, eu prefiro ser surpreendida. Mas mesmo assim ainda tem uns clichés pontuais que podem ser utilizados – até por que como definir o que é ou não cliché? A partir de quando que aquela ideia já foi utilizada excessivamente? É complicado de definir…

Eu ia terminar essa coluna fazendo uma lista com os meus clichés favoritos que era exatamente o que as pessoas estavam fazendo no twitter. Porém, descobri uma coisa importante: eu não consigo escolher, eu gosto de VÁRIOS. Quem sabe futuramente eu não faça uma nova coluna com meus clichés favoritos e os livros que eu mais gosto com ele?

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  • cris disse:

    Oi Lany tudo bem? Simplesmente amo livros clichês, são divertidos, emocionantes mesmo que eu sei o que vai acontecer, são leves e descontrai muito, e assim como você não consigo escolher um só kkk. Gostei do seu post é diferente e criativo parabéns, bjs!

  • Luna disse:

    Olá, Lucy!

    Eu tenho twitter, mas é como se não tivesse, pois raramente acesso. Do tipo raro mesmo! Têm vezes que passo anos sem nem entrar, só para você ter uma noção.rs O que é muito bom, pois já me bastam os dramas do Facebook. Não preciso aturar de outros lugares.rsrs

    Se pararmos bem para pensarmos e formos sinceros com nós mesmos teremos que admitir que existe clichê em TODOS os livros. Sim! Em todos! Talvez não notemos e consideremos um determinado livro “diferente” porque não estamos habituadas a ler aquele gênero ou por não termos lido os trocentos outros livros com situações iguais ao suposto “diferente”. Eu já li quase 650 livros na minha vida (literalmente) e digo que se uma pessoa não quer clichê ou ela redefine o significado da palavra ou deixa de ser leitora. Porque não tem como fugir.

    Claro que existem os autores que exageram. E as editoras também! Que um determinado gênero faz sucesso eles tem que saturar o leitor com diversas outras histórias iguais (como foi o caso de vampiros/humanos que você citou). Isso cansa.

    Bjs!

  • Lany disse:

    É interessante isso que você falou, que como você já leu quase 650 livros, não tem como fugir dos clichés. Não tem mesmo! Alguma coisa vai ter que ser igual com outro, é mais do que normal!

  • Marijleite disse:

    Quer maior clichê do que a própria vida? A gente nasce, cresce e morre, rsrsrs. Eu acho que clichês , quando bem trabalhados, podem render ótimas histórias e leituras deliciosas e marcantes. Só por algo parecer clichê não devemos desistir de ler ta história. Gostei muito de conferir suas considerações sobre o tema.

  • Vitoria Doretto disse:

    Oie! Ai, eu acho os clichês a coisa mais maravilhosa do mundo literário! Fazer uso do clichê não desmerece um trabalho literário, apenas mostra conhecimento do autor em relação a uma “formulinha” bem conhecida e usada e com quase total garantia de funcionar bem. Eu acho que as pessoas têm sempre essa ansia em querer ideias e cenas originais uma e outra vez e esquecem que ~nada~ é realmente completamente original, são “fórmulas” que se repetem e tal. Enfim, adorei seu texto! Beijos!

  • Isadora Ferreira disse:

    Olá,

    Também amo clichês e confesso que o meu favorito é o dos amigos que se apaixonam um pelo outro. Realmente tem diversas formas de desenrolar os acontecimentos na história e apesar de ser clichê, nem sempre fica massante porque o acontecimento varia de história para história. Adorei o post!

  • Carolina Durães de Castro disse:

    Oi Lany, tudo bem com você?
    Particularmente não tenho problemas com clichês propriamente ditos, mas sim (como você mencionou no seu texto), com a forma como o enredo é construído. Romances são cheios de clichês, é algo normal, mas é importante conseguir prender a atenção do leitor com a construção do texto.
    Bjkas

  • Dayhara disse:

    Eu também jamais conseguiria fazer uma lista com meus clichês favoritos porque eu amo demaaaaais um monte e jamais deixaria algum de fora haha. Acho a discussão muito válida e coloca os questionamento de outros leitores em pauta também!

  • Camila de Moraes disse:

    Olá!
    Adorei sua postagem. Tem gente que vive criticando clichês, mas convenhamos que a vida toda é um verdadeiro clichê. Quantas situações passamos que definem assim e não seria diferente nos livros, até porque temos tantas histórias. O que mais me atrai nesse tipo de história é como o casal é construído, pois pode ser clichê porém se não é bem trabalhado ai a história fica vazia, sem aquele quentinho que nos faz ansiar por mais.
    Beijos!

  • Tay Meneses disse:

    Clichês sempre causam muitas controvérsias mesmo. Não vejo problemas neles, desde que isso não torne o enredo enfadonho e sem graça, sem emoção. O grande problema é quando o aurtor usa ele ou pra prencher buraco, porque por algum motivo a criatividade parece ter ido só até um ponto e de lá não passa. Ou pior, pra justificar esse ou aquele erro de um ou mais personagens. No mais, tem coisa que fica até sem graça quando não é descrita de modo clichê rs

  • Mirian disse:

    Eu amo clichês mas geralmente as pessoas não sabem utilizar muito bem eles, acho que por isso tem tanta reclamação.Muitas vezes os autores tem que cumprir deadlines e não estão tão inspirados e é aí que acho que vira uma salada de clichês mal utilizados, mas quando são bem utilizados acho maravilhoso. Meu clichê favorito acho que em romances é o casal estranho, algo meio casal antes de ser casal tem alguma rivalidade ou briguinha mas isso vai mudando. Gostei muito do texto :D

    Bjus, Mirian
    https://castelodoimaginario.blogspot.com/

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