Top Ten Tuesday: Livros Para Quem Não Lê Young Adult

Ok, está bem: Young Adult não é um gênero, vocês me pegaram aí. Ainda assim, é tratado como um e existe bastante preconceito com relação à literatura YA. Já cansei de receber olhares tortos de estranhos na livraria por estar folheando exemplares na área teen, ou de ser vista sob outros olhos por conhecidos meus quando digo que leio livros infantis ou juvenis. Mas o que mais me irrita é ver adultos tecnicamente maduros repreendendo adolescentes por lerem livros que – pasmém – foram escritos para eles, com personagens na sua faixa etária, e problemas, dúvidas e situações bastante comuns na fase mais volátil de nossas vidas. É por isso que com o TTT de hoje eu não poderia deixar de chamar a atenção para os livros escritos para jovens adultos, que tratam os leitores como pessoas inteligentes e – ao contrário de tantos adultos que discriminam esses livros – capazes de discernir entre o que é bom ou ruim para eles.

Lembrando que o Top Ten Tuesday é uma iniciativa do blog The Broke and the Bookish.


1. The Fault in Our Stars, John Green

The Fault in Our Stars (resenha aqui) é um livro sobre dois adolescentes com câncer sem ser um livro sobre pessoas com câncer. Você vai chorar, você vai rir, você vai querer colocar o livro no congelador, mas acima de tudo, se você der uma chance à TFIOS você vai se encantar com a veracidade das palavras nas páginas. Nada é revestido com açúcar: os fatos são oferecidos ao leitor de maneira quase cruel, que faz com que você se sinta extremamente próximo aos personagens, suas dores, incertezas e inseguranças.

2. Os Treze Porquês, Jay Asher

Eu li esse livro (resenha aqui) praticamente de uma vez só, de tão intenso que ele é. O tema é forte: suicídio. Mas mais do que isso, é o entendimento dos fatos que levaram Hannah Baker a tirar sua própria vida. A compreensão de que, sim, a decisão foi dela mas vários fatores contribuíram para que ela tomasse essa decisão, que nós somos responsáveis pela maneira que tratamos as pessoas e que devíamos parar para pensar nas consequências que nossos atos geram.

3. Delírio, Lauren Oliver

E se o amor fosse considerado uma doença e sua cura fosse obrigatória? Essa é a premissa de Delírio, um dos livros que eu mais gostei ano passado (resenha aqui) e que foi lançado no Brasil essa semana. Seguindo o padrão das distopias pós Jogos Vorazes, Delírio é o primeiro livro de uma trilogia cujo segundo volume saiu em inglês em Fevereiro. Lena é uma personagem que aceita sem questionar o que a sociedade impõe, até que conhece Alex, por quem se apaixona perdidamente. É à partir daí que ela se torna uma personagem forte, quebrando regras e mudando seus conceitos sobre o que é certo e o que é errado. É uma leitura interessante e eletrizante!

4. As Vantagens de Ser Invisível, Stepen Chbosky

Eu confesso que queria muito ter lido esse livro quando era adolescente. Não somente por ele ter me deixado extremamente nostálgica lendo sobre a juventude dos anos 90, mas porque ele teria me ajudado a aceitar melhor o fato de que algumas pessoas simplesmente são diferentes, e não há nada de errado com isso. A história é narrada por Charlie através de cartas, então nós temos uma visão muito íntima do personagem. É como se realmente o conhecêssemos. Ele também é recheado de referências literárias que são simplesmente uma delícia de se ler! Confira a resenha aqui.

5. Eu sou o Mensageiro, Markus Zusak

A primeira coisa que me chamou a atenção nesse livro foi o fato de Ed Kennedy – personagem principal – dizer que é ruim de cama. Num universo recheado de Robert Langdons e Mikael Blomkvists, é refrescante ler sobre um garoto que não se acha excepcional embaixo dos lençóis. Após evitar um assalto em um banco, Ed passa a ser tratado como celebridade no bairro onde mora. Mas a surpresa vem mesmo um pouco depois: ele começa a receber cartas de baralhos que o levam à pessoas que precisam de ajuda: seja a mulher que é estuprada diariamente pelo marido ou a velha senhora que leva uma vida solitária. Pra mim a grande mensagem que esse livro deixou é que qualquer pessoa pode fazer o que quiser na vida, e que nunca é tarde demais para recomeçar.

6. Will Grayson, Will Grayson, John Green & David Levithan

Tenho certeza que muitos adultos vão torcer o nariz para WG, WG (resenha aqui) – afinal, além da história girar em torno de um musical escolar, um dos personagens principais é gay. Pra mim, essa é a fórmula que faz esse livro dar certo. Com narrações intercaladas entre os dois Will Graysons, Green e Levithan nos levam à uma jornada de descobertas: de amizades, de sexualidade, de amores, de amizades, tudo isso ao som das músicas compostas por Tiny Cooper.

7. Speak, Laurie Halse Anderson

Esse é um livro forte, e justamente por isso eu acredito que ele deveria ser leitura obrigatória para adolescentes, tanto meninas quanto meninos. Se trata da história de uma garota de 14 anos que é estuprada em uma festa de fim de verão. Confusa com relação ao que realmente aconteceu, Melinda se fecha para o mundo: seus pais a ignoram, seus amigos a abandonam, suas notas caem drasticamente, e a garota que era tão cheia de vida se torna praticamente um manequim, tentando ser invisível, falando o mínimo possível. Afinal, de que adianta falar se ninguém te escuta? Para piorar as coisas, o monstro – como ela se refere ao garoto que a estuprou – começa a ameaça-la: ela não tem nada para dizer a ninguém, afinal ela também queria e se ela abrir a boca, ele vai fazer de novo. Escrito de maneira belíssima, Speak é sempre um dos livros que eu mais recomendo. Afinal, se a gente não abrir a boca pra falar sobre o assunto, como é que vamos diminuir o índice desse crime hediondo?

8. A Menina que Roubava Livros, Markus Zusak

Sim, mais um livro de Markus Zusak. O que fazer se ele é um autor completo? A Menina que Roubava Livros (resenha aqui) nos conta a história de Liesel, uma garota que vive na Alemanha nazista com seus pais adotivos, e sua história é contada pela Morte. Sim, a Morte é a narradora da história de Liesel e honestamente foi isso que mais me chamou a atenção quando me recomendaram esse livro há alguns anos. Escrito de maneira extremamente cativante, A Menina que Roubava Livros nos mostra como palavras são capazes de mudar o mundo, seja em pequena escala, como na vida de Liesel ou em grande escala, como na história de Hitler. Outro ponto extremamente interessante é que Zusak conta a história de alemães que arriscaram suas vidas para salvar um judeu, o que não é uma abordagem muito comum em livros da II Guerra Mundial.

9. The Bermudez Triangle, Maureen Johnson

Confesso que quando comecei a ler esse livro me desanimei um pouco. Pensei que fosse ser mais um daqueles romances bobos nos quais os personagens têm que passar por quinhentos desafios para finalmente poderem ficar juntos (não me levem a mal, eu aprecio livros assim também mas não com frequência). Eu deveria saber que Maureen Johnson não me decepcionaria assim. TBT é a história de três melhores amigas: Nina, Avery e Melanie. Tudo muda quando Nina vai para a Califórnia e Mel confessa ser apaixonada por Avery. The Bermudez Triangle lida com a descoberta da sexualidade, preconceitos e aceitação de maneira suave, e é uma leitura extremamente prazerosa.

10. Jogos Vorazes, Suzanne Collins

Preciso realmente falar alguma coisa? Com estréia nos cinemas do mundo todo em menos de duas semanas, a trilogia de Suzanne Collins está presente nas estantes de praticamente todo mundo que eu conheço. Já perdi a conta de quantas pessoas eu convenci a dar uma chance para Hunger Games e até hoje nenhuma delas se arrependeu de ter me ouvido e dedicado seu tempo à Katniss e Peeta.

E vocês, quais suas recomendações Young Adult para jovens de todas as idades?

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  • Lucy disse:

    Eu ainda quero ler esses que vc citou, principalmente os do John Green e Os 13 porquês. Delírio eu já comprei, estou esperando chegar (¬¬’) rsrs. Agora, eu recomendo muito a saga Percy Jackson e os outros Young Adult do Rick Riordan, acho que são ótimos para quem quiser ler um YA pra começar. ;D

  • Melissa disse:

    Eu adooooooooooooooro o Zusack! Sério, acho que ele é fantástico e eu “Eu sou o mensageiro” é um dos livros em que eu mais chorei na vida.

    Eu não entendo esse preconceito com YA. Gente, livros são livros. Vamos parar de julgá-los só porque ele se concentram mais em uma determinada faixa etária. Tem livro adulto ruim, tem livro YA ruim e tem livro infantil ruim. É a vida.

  • Karen Alvares disse:

    Eu não entendo porque ainda tem gente que tem preconceito com livros apenas porque ele é de uma faixa etária, ou porque ele é sobre um tema específico. Como disse a Mel, livros são livros, e o que importa é se ele é bom ou ruim, se a história é consistente, personagens cativantes e se diverte principalmente, e talvez, acrescente algo. Ponto.

    Eu já conhecia a maioria das suas indicações, Parceira, por suas resenhas, e quero ler quase todas elas, mas não conhecia Speak, e me interessei MUITO!

  • Mi disse:

    Eu penso muito mal dessa gente que discrimina esse tipo de literatura, viu? Sabe pq? Pq nenhum adolescente vai cair de amores pelos clássicos sem começar de algum lugar. O cara que acha que socando clássicos goela abaixo na piazada vai fazer a piazada ler, mal sabe que está fazendo o caminho inverso: ou seja, fazendo a piazada ter mais pavor ainda de ler.
    Particularmente acho esse gênero uma maravilha, pq fala para a piazada mesmo. Dos problemas deles, das necessidades deles e não do que os adultos acham que devem ser essas necessidades. Eu fico me perguntando o que leva o ego de um adulto a querer dizer o que é bom pra piazada ler. Tá certo que existem bons livros e maus livros, mas isso existe em literatura pra adultos também. Então, senhor crítico desocupado, vai ler chupar um pedaço de sabão!!!
    E abençoado seja J D Sallinger por ter inventado esse gênero quando escreveu O apanhador no campo de centeio, que eu teria colocado lá no topo, até pq – shame on me – nunca li nenhum dessa tua lista, mas vou ler. Sabe por que? Pq eu trabalho com a piazada, preciso ler o que eles leem para conseguir entender o que eles sentem e não sou ninguém pra julgar bom ou ruim o que é importante pra eles. Apesar de muitos adultos não acreditarem, a piazada sabe o que é bom pra si!
    Parabéns pelo post, Ily. Realmente uma bela lista. 😉

  • Lany disse:

    Eu ia até escrever um comentário, mas depois de ler esse da Mi, nem tem como escrever nada hahaha! Assino embaixo tudo o que a Mi disse! E eu AMO young adult, e se eu só fosse apresentada a livros clássicos, provavelmente não seria uma leitora hoje em dia!

  • Vania disse:

    Eu acho que adultos subestimam muito crianças e adolescentes. Não esqueço uma vez que a Maureen Johnson – defensora de Young Adult até não querer mais – postou o link pra um artigo em que dois autores falavam como era fácil escrever YA porque a gurizada não tava nem aí. Só que se você fosse ver a classificação do livro no Goodreads, tava lá embaixo… por que? Porque acham que só porque é criança ou adolescente vai engolir qualquer merda. E de qualquer forma, quem somos nós pra julgar o gosto literário dos outros? Eu não gosto dos livros do Nicholas Sparks, mas li e gostei de Twilight. E não é porque a gente lê Harry Potter ou Hunger Games ou Percy Jackson que não podemos/conseguimos apreciar Gabriel García Márquez, Fitzgerald, Homero ou Shakespeare.

    Eu pensei em colocar Apanhador no Campo de Centeio na lista porque entendo seu valor histórico, mas não gostei do livro. Tenho certeza que se eu tivesse lido quando era adolescente, teria gostado – e talvez até me identificado. Como li somente ano passado, tudo que eu tinha vontade de fazer era dar umas boas palmadas no Holden, affe gurizinho chato!

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