Top Ten Tuesday: Os dez personagens mais frustrantes

ttt2013

No dicionário a palavra frustrante significa “enganar a expectativa, decepção” ou ainda “quando o resultado de algo sai diferente do esperado”. Não é nada agradável, porém a decepção é algo até comum na literatura. Quantos livros vocês já criaram expectativas e depois se decepcionaram? A decepção e a frustração estão sempre presente em nossas vidas, com os livros, com as pessoas, com os personagens… E agora eu pergunto: quais os personagens que foram mais frustrantes para vocês?

Lembrando que o TTT é uma iniciativa do blog The Broke and the Bookish!

Bentinho (Dom Casmurro)

Vou começar com o personagem que acho mais frustrante em toda literatura. Vejam bem, é só o personagem, não o livro. Na realidade, o fato de Bentinho ser uma decepção e uma enorme frustração é uma das coisas que dão brilho a esse livro maravilhoso. Bentinho é um homem que na verdade não é um homem, está mais para um rato, uma caricatura, um projeto que de homem que não deu certo. O cara é extremamente inseguro, o rei do drama e um bunda mole completo. Ele passa o livro inteiro sem tomar uma atitude que valha a pena. Resumindo: Bentinho é a frustração em pessoa, a decepção encarnada, ele é um banana sem atitude. Muito diferente da Capitu, que era areia demais para o caminhãozinho dele!

Frodo Bolseiro (Série Senhor dos Anéis)

Qual era a missão de Frodo? Destruir o Um Anel. Ele faz isso? NÃO! (soltando um palavrão bastante sonoro) Caramba, ele só tinha que ir lá e jogar a droga do anel nas Fendas da Perdição! Ele viajou quilômetros e quilômetros, ele atravessou todo um mundo, um monte de terras e três livros enormes para fazer isso. Ele só tinha que fazer isso! Ele era a droga do HERÓI! E quem destrói o anel?! GOLLUM! Droga, droga, droga, eu queria entrar no livro e estapear a cara desse hobbit bunda mole! Totalmente frustrante elevado a cinco milhões! E acrescento aqui que o Sauron também é outro inútil que não aparece o livro todo. Que droga de Olho era aquele?! Droga, eu queria ver o Sauron em pessoa, ou fantasma, ou espectro, ou sei lá! Eu queria a droga de um confronto, uma discussão ou até mesmo um jogo de peteca entre ele e o Frodo! Que droga foi aquela?! *revoltada* Por isso eu amo o Sam, o Sam nunca me decepcionou, o Sam é o cara, ou melhor, o hobbit! Eu li Senhor dos Anéis por causa do Sam e digo isso sem vergonha de ser feliz. O Sam tinha atitude! POOOO-TAAAAA-TOES!!!

Ben Bailey (Um Mundo Brilhante)

Esse foi o primeiro personagem que lembrei quando comecei a lista. Foi um livro recente que li e, além disso, Ben Bailey é um cara que se me perguntassem “descreva esse personagem” a primeira palavra que eu diria seria “frustrante” e depois iniciaria uma longa lista de defeitos dele. Assim, não é que ele seja um cara ruim, do mal, mas ele é um bunda mole sem atitude que se deixa ser arrastado pela correnteza até chegar ao limite e, finalmente, acontecer uma tragédia tão grande que é apenas sua culpa por simplesmente não ter feito nada o livro todo. Sério, ele passa todo o livro sem tomar uma atitude. Ele parece que está assistindo a vida passar… ele parece mais leitor do que a gente, que pelo menos jogamos o livro na parede (hey, isso é uma atitude!). Enfim, ele já começa o livro sendo um cara frustrante e termina mais frustrante ainda. Ele não faz nada no livro nem para nos ajudar a gostar um pouquinho dele.

Albus Dumbledore (Série Harry Potter)

Esse cara não passa de um velho chato que fica empatando a vida do Harry. Ele sempre foi evasivo, não respondia porcaria nenhuma que fosse perguntada de modo minimamente aceitável e parecia estar sempre escondendo alguma coisa; quando finalmente chegava o final de um livro, o Harry estava lá no escritório dele, na ala hospitalar ou sei lá, e aí fazia perguntas relevantes, e o velho sempre, sempre dava um jeito de escapar e deixava tanto o Harry quanto nós, leitores, de mãos vazias e frustrados. Antes de saber o que ele fez DE FATO, eu já tinha essa impressão meio esquisita dele, mas assim, respeitava né, afinal, o cara era tido como um sábio, um gênio, o grande bruxo e tudo mais. Só que aí você chega no final do livro e vê que ele fez besteira atrás de besteira, que ele praticamente entregou o Harry à morte, enganando o garoto por toda a vida, não sabia de porcaria nenhuma, enganou até o Snape, que ficou louco da vida (com razão), enganou todo mundo, e aí você percebe que Dumbledore não era nadinha daquilo que se pintava dele – na verdade ele era só um velho idiota, que errou a vida inteirinha, que tinha pose de grande sabido e no final não sabia nada. O Harry sempre foi um homem melhor que ele. Caramba, até o Snape (que eu sempre detestei e continuarei detestando) era melhor que ele! Rita Skeeter tinha até um pouco de razão quando colocou no título de seu livro: “A Vida e as Mentiras de Alvo Dumbledore”. E acrescento aqui que Voldemort também foi uma frustração – mas Dumbledore o superou.

Dr. Erik Maria Bark (O Hipnotista)

O Dr. Erik Bark é referenciado já no título do livro e aí você pensa “uau, ele deve ser ALGO” né? Ele começa o livro sendo apresentado como “O Hipnotista”, o cara que tinha uma habilidade incrível, o cara que desistiu de sua profissão porque algo terrível aconteceu, o cara que chegou para salvar a situação terrível que se formou logo de cara na história. Você fica achando mil coisas sobre o tal do hipnotista e, no final, ele é um banana. Quase tudo o que acontece na história é na verdade sua culpa, ele não dá atenção pra mulher nem para o filho, a mulher chama o pai dela toda hora pra resolver as coisas, o cara não tem voz ativa alguma e no final quase coloca tudo a perder. Uma frustração só…

O Homem de Preto/ Randall Flagg/ Walter (Série A Torre Negra e outros)

O Homem de Preto é um personagem tão importante e tão marcante que é recorrente nas obras do King. Ele aparece em um monte de livros importantíssimos do mestre, como A Dança da Morte, Olhos do Dragão, Hearts in Atlantis (sem edição brasileira) e finalmente na série A Torre Negra. Foi na Torre que eu o conheci; o livro já começa com “O homem de preto seguia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás”. Roland persegue o homem de preto quase tanto quanto persegue a própria Torre. O cara parece ser um vilão exponencial, super poderoso, mau que nem um pica pau e acabar com ele parece ser quase tão importante quanto encontrar a Torre. Mas… mas… mas o final dele é tão besta que você lê e não acredita. De verdade, quando eu li o final do cara na série, voltei algumas páginas e li de novo, só para ter certeza que não tinha lido nada errado. Mas não, era aquilo mesmo. Então não sei dizer muito se é o personagem que é frustrante, se o seu final que é ou se todo o conjunto que foi uma decepção. Mas vale ressaltar que isso é a única coisa frustrante na obra, o resto é fantástico, maravilhoso e perfeito – leiam logo esses livros!

Juliette (Estilhaça-me)

Esse livro inteiro é frustrante, mas Juliette consegue ser a campeã porque fizeram a maior propaganda dela. No capa, na contracapa, no começo do livro etc. etc. etc. Ela não pode tocar em ninguém, ela faz coisas horríveis, ela é um monstro e blá, blá, blá. No final ela só é uma garota idiota e frágil, que parece que vai derreter toda vez que o amor da sua vida toca nela e, ah, percebeu aí o “toca”? Ela não podia tocar em ninguém, ninguém!!! Só que aí o amorzinho dela de repente é imune ao seu poder, e o vilão também e daqui a pouco todos os caras bonitos e toda a torcida do Flamengo. Que conveniente! E aí tudo o que você achava dela cai por terra e vira a festa do caqui. Todo mundo pode tocar na Juliette… OBA! E o livro que era uma distopia vira só um romancezinho sobrenatural barato.

Franklin (Precisamos Falar sobre o Kevin)

Querido Franklin, morra, porque você é um inútil. Oooops… Bem, o maldito do Franklin só atrapalha o livro inteiro. A gente até fica em dúvida como a Eva, uma mulher forte, inteligente e incrível, pôde um dia amar esse cara. Ele só atrapalha e enche o saco do início ao fim. Primeiro ele insiste em ter um filho, ele enche o saco até cansar, sendo que a Eva não se sentia preparada, não queria, mas ele insiste. Aí eles têm aquela coisa preciosa que é o Kevin – o moleque endiabrado desde tipo dois segundos de vida. Aí o Franklin não enxerga nada disso e fica mimando o garoto, botando todas as culpas na Eva, passando a mão na cabeça do menino até nas maiores atrocidades, nas coisas  mais absurdas e, claro, fica enchendo o saco da Eva, do Kevin, do leitor, de todo mundo. Por todo o livro ele poderia ter feito algo, ele ao menos poderia ter deixado a Eva fazer algo, mas não, ele simplesmente fica lá, enchendo o saco, empatando e sendo idiota, deixando a coisa acontecer. Quando você acha que a Eva vai poder resolver o assunto, o Franklin vai lá e impede. Enfim, ainda bem que o cara teve o fim que merecia.

Daniel (Sábado à Noite)

Bem, esse livro inteiro é ruim, com personagens clichês e sem nenhuma personalidade, mas Daniel ainda tinha algum potencial. Ele ainda parecia ter brios. No final do livro acontece uma situação terrível, em que a garota que ele ama dá uma enorme bola fora e realmente faz uma traição das mais vis com ele – e nem digo traição no sentido de sair com outra pessoa, é aquele tipo de traição quando é impossível confiar de novo, quando a pessoa te sacaneia e te deixa na mão no momento que você mais precisa dela. Pois é. O que seria razoável aqui? Daniel deveria simplesmente ficar louco da vida e no mínimo desprezar a garota – mas o melhor seria uma vingancinha básica, afinal, gente, isso é literatura e queremos emoção por aqui. Mas não, nananinanão, o cara vai lá e faz amor bonitinho com a garota e ainda diz que a ama. Traz o balde que vou vomitar, por favor.

Conan (Conan, o Bárbaro e outros)

Conan é um personagem frustrante simplesmente pelo fato de tudo dar certo para ele. Ele sempre vence, ele sempre dá um jeito de escapar das piores armadilhas, ele sempre é o cara experiente, forte, fantástico, perfeito, que se dá bem com os caras e com as mulheres, ele ganha de todo mundo em uma luta, ele vira rei, ele é amado por todos, temido por seus inimigos… Dá vontade de ler sobre esse cara? Para quê?, eu pergunto. Você já sabe que ele vai se dar bem no final. Não tem graça.

E vocês? Digam nos comentários quais são os personagens mais frustrantes nas suas leituras!

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  • Mi disse:

    Aplausos! Adorei a lista. Concordo plenamente quanto ao Dumbledore. A Rita tinha razao em muita coisa sobre ele! Quanto ao Bentinho, UAU! Ateh que enfim alguem definiu a nulidade como perfeicao. Capitu era areia demais para p caminhaozinho dele. Bjs

  • Karen disse:

    Oba, obrigada, Mi! Pois é, acho que a Rita tinha razão em algumas coisas do Dumbledore. E eu peguei uma raiva horrível dele quando terminei Deathly Hallows, lembra no fórum como eu reclamava? Impossível não colocá-lo nessa lista!
    Ah, Bentinho… um bunda mole ridículo. A Capitu que era boa demais para ele. Ele tinha era sorte e ainda reclamava. Pior que existe gente assim. Aff.

  • Vania disse:

    Ah Parceira, discordo com relação ao Frodo. O que aconteceu no final foi uma ilustração do que o Tolkien falava desde o começo: o poder do Um Anel. Em A Sociedade do Anel tem um diálogo em que o Frodo comenta com o Gandalf que era uma pena o Bilbo não ter matado o Gollum quando teve a oportunidade (aliás, essa cena sim foi uma decepção em O Hobbit), e Gandalf responde que foi pena que não deixou que Bilbo fizesse isso. No final de O Retorno do Rei, quando Frodo se recusa a jogar o Anel no Mount Doom, ele estava mais próximo da criatura que Gollum se tornou do que do hobbit do Condado; o fato dele não ter conseguido destruir o Anel, cumprir sua missão, ilustra de maneira brilhante o poder que Anel exerce sobre aqueles que o carregam – e o Frodo o carregou pelo mundo, como você disse. Embora eu concorde com você sobre o Sam (Sam é meu favorito EVER, meu queridinho mais querido do mundo, amo o Sam amo amo amo), e acredite que Frodo não teria chegado onde chegou se não fosse pelo nosso amado Gamgi, o Frodo foi o único que teve as bolas de se oferecer para carregar o Anel. Ele sabia no momento em que disse que levaria o Anel embora não soubesse o caminho que havia POUQUÍSSIMA chance de que essa viagem fosse de ida e volta. E mesmo assim, ele vai. Ele chega até o fim. Ele luta contra o domínio do Um Anel. Ele tenta, tenta e tenta até não conseguir tentar mais e depois ainda tenta mais um pouco. E esse, eu acredito, é o grande inimigo do Frodo; não é o Sauron ou qualquer parte do Sauron (faz tempo que não leio, mas se não me engano Sauron não tinha forma corpórea, estou errada? Era um dos motivos para ele querer o Anel, não?); é o Um Anel. Ele sim é o inimigo, ali no peito do Frodo, junto a ele, modificando sua mente, fazendo com que ele abandone tudo que é, tudo em que acredita e se curve aos Seus desejos. E eu morro de vontade de abraçar o Frodo porque somente ali, quando está prestes a destruir o Anel, é que ele se deixa dominar, ali onde a força do Anel é mais forte, mais destrutiva, mais impossível de se vencer. Frodo pode não ter destruído o Um Anel (embora Gollum o tenha feito por simples acidente), mas foi por causa dele que o Anel foi destruído; qualquer outro que tivesse enfrentado o que ele enfrentou, lutado contra o que ele lutou e passado pelo que ele passou, não teria chegado nem perto de Mordor e pra mim é isso que faz o Frodo um Herói com H maiúsculo.

  • Karen disse:

    Parceira, o pior é que eu entendo tudo isso que você falou. Eu entendo que o inimigo na verdade era o Um Anel. Eu entendo que o Sauron não tinha forma (era isso mesmo que você disse). Eu entendo que o Gollum destruiu o Anel por acidente. O pior é que eu entendo tudo isso, de coração. Mas a sensação de frustração que ficou quando eu li esse final não foi embora… e eu não consigo gostar do Frodo de jeito nenhum. Eu não consigo gostar do jeito dele ou do modo que ele faz as coisas, simplesmente não bate. Já teve uma época que eu não entendia essas coisas, mas agora eu entendo o que o Tolkien quis dizer. Mas a frustração continua. Talvez eu não seja o público alvo apenas… Mas de coração, eu fico frustrada só de pensar nisso que aconteceu. Na época que eu li então eu fiquei irritadíssima e só terminei o livro mesmo por causa do Sam. Por isso que eu fiz esse desabafo.

  • Daniel Monteiro disse:

    Até hoje não terminei HP (parei no quarto livro), mas depois de ler isso, deu vontade de conferir o resto e ver que segredo é esse sobre Dumbledore que transforma o bom velhinho num personagem frustrante.

    E sobre o Conan, ELE É FODA! Frustrante é ver esse metrossexual da sobrancelha feita interpretando ele.
    T.T nooooooooooooooo

  • Karen disse:

    Recomendo com fervor que leia HP até o fim! 😉 Por isso, não vou contar mais nada sobre Dumbledore! rsrs
    Ah… o Conan. O Conan para mim é foda DEMAIS, o que tira um pouco a graça dele. Parece que ele sempre vai se dar bem… eu gosto de personagens um pouco mais falíveis, com defeitos, me sinto mais próxima deles. Afinal, quem não tem defeitos e não erra?
    Mas concordo que é frustrante ver o cara da sobrancelha feita interpretando ele.

  • Top Ten Tueday – REWIND: Dez vilões favoritos « Por Essas Páginas disse:

    […] sei que já disse que ele é uma decepção – e ele é mesmo. Mas até eu descobrir isso já estava apaixonada pelo cara. Ele é um […]

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