Adaptação: Harry Potter e a Pedra Filosofal

E o nosso Especial Harry Potter continua! Sim, depois de analisarmos todos os livros da série (vocês podem ler os posts aqui), agora vamos para uma parte bem mais polêmica: os filmes. Tem pessoas que amam os filmes, tem pessoas que acham que eles são regulares e tem outras que preferem acreditar que os filmes (ou certas cenas) não existem.

HP1“Harry Potter é um garoto órfão que vive infeliz com seus tios, os Dursley. Em seu aniversário de 11 anos ele recebe uma carta que mudará sua vida: um convite para ingressar em Hogwarts – famosa escola especializada em formar jovens bruxos. Seus tios não querem nem ouvir falar no assunto, mas a visita de Hagrid, o guarda-caça de Hogwarts, transforma a vida de Harry para sempre. A partir de então o pequeno bruxo conhece um mundo mágico que jamais sonhara, e vive as mais incríveis aventuras ao lado dos novos amigos, Rony Weasley e Hermione Granger” (Fonte).

 

Infelizmente, eu não acompanhei toda a seleção de atores e nem as filmagens de Harry Potter e a Pedra Filosofal. Quando eu terminei de ler Harry Potter e o Cálice de Fogo e fui procurar na internet informações sobre a série, descobri que o filme estava em cartaz. Sim, eu não sou muito de ir ao cinema mas é claro que eu fui correndo assistir! Tem uma cena desse dia que até hoje eu me lembro muito bem. Quando eu cheguei no cinema e reparei mais de perto no poster, eu simplesmente não podia acreditar que os olhos do Harry eram azuis. Tão azuis que chegavam a doer! Muitas pessoas falavam que isso era um pequeno detalhe, mas eu só tinha lido cada livro uma vez e me lembrava muito bem disso (e depois esse fato mostrou ter a sua importância).

Mas naquela época eu queria um filme fiel ao livro. Eu queria que todas as minhas cenas preferidas estivessem presentes sem nenhuma modificação. Hoje eu entendo completamente que não tem como ser assim. Livro e filme são duas formas completamente diferentes de contar a mesma história. Por isso, adaptações são necessárias. Para mostrar um pouco a dificuldade dos roteiristas, eu proponho o seguinte desafio. Peguem um capítulo de qualquer um dos livros e tentem resumir em 300 palavras de uma forma que uma pessoa que não tenha lido o livro consiga entender. Eu já tive que fazer isso uma vez (mas com outro livro) e é muito difícil, e devo dizer, doloroso. A escolha é difícil e muitas vezes é exatamente nesse momento que os roteiristas erram.

Harry Potter e a Pedra Filosofal começa exatamente como o livro: Dumbledore chega a Rua dos Alfeneiros para poder deixar Harry com os seus tios trouxas. Essa é uma das minhas cenas preferidas de todos os filmes, porque eu me sinto exatamente como quando estou lendo o livro. Temos McGonagall, Hagrid e a moto do Sirius e essa é a primeira vez que toca Hedwig’s Theme. É claro que naquela época nós não sabíamos que essa música seria repetida durante toda a série de formas diferentes… E todo o enfoque na cicatriz e depois mudando para o Harry criança também foi muito bonito – é só uma pena que Dumbledore não tenha se referido ao Harry como “O Menino que sobreviveu”.

baby Harry

Não foi somente a primeira cena que foi muito bem adaptada. Uma característica de Chris Colombus, diretor desse e do próximo filme da série, foi que ele conseguiu passar cenas essenciais para a série de uma forma muito fiel. Apesar das adaptações ele conseguiu passar a atmosfera do livro. Hogwarts conseguiu ser mais linda e encantadora do que eu conseguia imaginar. Assim como eu queria andar no Beco Diagonal, pegar o Expresso de Hogwarts e jogar Quadribol. E é claro que toda essa atmosfera mágica se deve também aos atores.

Hogwarts

Durante todos os oito filmes da série, somente atores britânicos fizeram parte do elenco. Pode parecer somente um detalhe, mas eu acho isso muito importante, porque essa é uma característica dos livros.  Se o seu livro se passa na Inglaterra, por que não usar atores nascidos lá? Afinal, que nunca imitou Draco Malfoy falando “Pottah”? Um ator americano poderia aprender o sotaque britânico, mas não ficaria a mesma coisa por causa da parte cultural… E não é como se eles não tivessem bons atores na Inglaterra!

Trio

Os alunos de Hogwarts foram escolhidos entre atores que não tinham muita experiência anterior e nem eram famosos. Daniel Radcliffe pode não ter sido o Harry ideal e nem ter tido uma atuação espetacular, mas nesse filme isso não atrapalhou muito. Afinal, esse é o momento em que Harry descobre um mundo completamente novo, então era normal toda a surpresa e toda a timidez durante diferentes momentos.  Rupert Grint já começou a brilhar como Ron Weasley (e infelizmente teve o seu brilho apagado depois – mas esse é assunto para outros posts). Emma Watson estava adorável como Hermione Granger. Ela conseguiu ser aquela aluna que sabe tudo mas que a gente quer abraçar de tão fofa que ela é. Até o cabelo está perfeito para a personagem! Infelizmente, ela é a personagem que mais muda durantes os próximos filmes.  O seu cabelo fica lindo e maravilhoso e ela começa a pegar falas de outros personagens (principalmente do Ron). Novamente, cenas dos próximos capítulos…

Harry

Mesmo tentando analisar com a razão, não tem como negar: algumas cenas ficaram forçadas. Mas nós temos também que entender que eles eram crianças e em seus primeiros filmes, então ficava difícil exigir uma atuação brilhante. Quem assistiu alguns vídeos dos bastidores com certeza percebeu como é bem mais difícil de trabalhar com crianças. Elas não podem deixar os estudos de lado e as horas de trabalho também são diferentes. Realmente não é a mesma coisa que trabalhar com um elenco todo adulto.

Um fato que ninguém pode negar é que os atores adultos foram muito bem escolhidos. Eu quase caí da cadeira quando Alan Rickman apareceu pela primeira vez como Snape. Ele era igualzinho como eu imaginava! Maggie Smith (McGonagall), Richard Harris (Dumbledore) e Robbie Coltrane (Hagrid) também foram excelentes nos seus papéis. Em certos momentos eu queria que eles aparecessem mais!

trio xadrez

É claro que tiveram várias cenas cortadas ou adaptadas, mas não foi nada que me incomodasse muito. Uma das partes que todo mundo sente fala é quando o trio vai buscar a Pedra Filosofal e não tem a parte que a Hermione consegue resolver o enigma das poções. Mas se formos analisar friamente, essa cena realmente não era tão importante assim. O final desse livro na verdade mostra a principal característica de cada um deles e a Hermione mostrou o seu talento na parte do Visgo do Diabo. E é isso o que é importante na hora de uma adaptação: eles tem que saber escolher as cenas que ficam e as cenas que são cortadas. E infelizmente a escolha deles nem sempre agradam os fãs (fato que se torna mais frequente conforme a série prossegue). E isso também varia de fã para fã. Uma cena que não é importante para a história mas que eu gostaria muito de assistir, por exemplo, era a canção do Chapéu Seletor!

Outro ponto importante é que para os fãs da série a história mostrada no filme é muito clara, mas para quem não leu o livro, vários pontos ficaram totalmente confusos. Eu assisti A Pedra Filosofal com pessoas que não tinham lido o livro, e quando saímos do cinema, elas me fizeram um  monte de perguntas. Esse é um dos perigos durante a transição entre livro e filme: quando você tenta ser muito fiel, o filme pode acabar se tornando uma “colcha de retalhos”. Se você quiser que todos entendam a história e tem pouco tempo de filme, muitas cenas terão que ser adaptadas mas nesse caso os fãs podem não gostar tanto. Enfim, como dosar isso? Como saber se o filme deve ser fiel ou adaptado?

Enfim, Harry Potter e a Pedra Filosofal, mesmo com alguns problemas, foi um excelente começo para a série!

Pedra

 

Ficha Técnica

Título: Harry Potter e a Pedra Filosofal
Direção: Chris Colombus
Roteiro: Steve Kloves
Duração: 152 minutos
Ano: 2001
Distribuidora: Warner Bros
Avaliação: 

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  • Karen disse:

    Que incrível sua resenha, Lany! Falou de todos os pontos importantes e foi muito legal você destacar a dificuldade de se adaptar um livro tão rico para um roteiro de cinema. Vou sentir falta para sempre da cena da Hermione e das poções, mas como depois dão tanta importância a ela sem sentido, eu nem me importo mais. Tivemos a parte do xadrez do Ron, que é muito mais legal.
    Esse filme é tão fofo, tão inocente! Ele é lindo lindo demais. E eu gostava muito da direção do Collumbus. Ele foi uma boa escolha de diretor.
    Eu acompanhei a escolha de elenco todinha e os trailers e tals… as primeiras fotos. Ah, que saudade!
    Acho que só faltou tu colocar o trailer aí pro pessoal. =)

  • Lany disse:

    Eu gostei muito da direção do Collombus!
    Verdadeee, tenho que colocar o trailer!

  • Resenha Especial: Harry Potter e a Câmara Secreta [filme] « Por Essas Páginas disse:

    […] a Lany fez uma introdução incrível da série de filmes com a resenha de Harry Potter e a Pedra Filosofal (se não leu ainda, leia!). Diferente dela, eu acompanhei toda a seleção de elenco, as primeiras […]

  • Satine disse:

    Pra mim, Chris Columbus foi o melhor diretor e você tem razão: é difícil e impossível passar todas as partes de um livro pra tela, mas do terceiro em diante eu senti que os roteiristas tiraram partes demais dos livros, correram tanto pra darem ênfase em cenas desnecessárias. Pra mim o crime maior foi a mudança nas atitudes e falas de alguns personagens. Como no caso das falas do Rony passarem pra Hermione.
    Mas eu gosto dos filmes – menos do 6º. Aquilo foi um crime pros fãs! – porque quando comecei a ler Harry Potter, era apenas um livro em série então eu não prestava atenção nos detalhes – odiava, aliás o tanto de detalhe que havia e ignorava todos eles – mas os filmes serviram pra me mostrar as características que JK dava às personagens.
    Só um detalhe: Emma Watson não é britânica e sim francesa.

  • Lany disse:

    Eu fico muito triste quando passa a fala de um personagem para outro! Se vai colocar a frase, por que não com o personagem original? Quando é uma frase do Ron que vai pra Hermione é pior ainda, porque ele está lá na cena!!!
    Eu sabia que a Emma Watson é francesa, mas todo mundo continua se referindo a ela como “Britânica” (acho que porque ela se mudou quando ainda era criança). Por isso que eu não falei dessa “exceção” rs! Mas muito bem lembrado!

  • Satine disse:

    Eu também não acompanhei a escolha do elenco. Na época do lançamento do filme eu sequer tinha lido o livro e odiava Harry Potter mas fui obrigada a ver o filme – dublado, pra aumentar meu ódio – pelo primo da vizinha, uma criança amiga minha e da minha irmã – que tbm odiava HP e até hoje nunca leu os livros e só viu esse filme – que amava o bruxo mais que a vida.
    Depois, com a maturidade, eu percebi que só podia mesmo ser esse elenco, tá praticamente toda nata britânica, os melhores juntos. E o Alan Rickman, que eu adoro, realmente é o Snape.

    O Harry Potter dos filmes teria olhos verdes mas as lentes deram alergia – ou faziam o Daniel lagrimejar – e a produção decidiu deixar o Harry de olhos azuis mesmo embora o Daniel tenha afirmado que tentaria usar as lentes.
    [SPIOILER]Pra mim, furo maior foi colocarem no último filme a menina com olhos castanhos sendo a mãe do bruxo mais nova. Podiam ter selecionado alguém com a mesma cor dos olhos.

  • Lany disse:

    Depois que eu assisti o filme, eu também fiquei sabendo disso. Aliás, eu sei exatamente como o Daniel se sentiu, porque eu também tentei usar lentes e não consegui! Mas os produtores do filme falaram que iriam tentar mudar digitalmente… E eles mudaram em algumas cenas, em outras não, e o primeiro filme ficou uma colcha de retalhos hahaha! [spoiler] Esse realmente foi um erro imenso!

  • Renata disse:

    É esse tipo de coisa que sempre me deixou com muita raiva: os filmes foram feitos para quem NÃO tinha lido os livros. Como pode isso sendo que a maioria das pessoas que assistem esses filmes são as quem leem os livros? Falta de consideração com as pessoas que acompanham os livros e filmes.

    Mas fora isso, amo de paixão esse filme, já até perdi as contas quantas vezes eu já assisti, e sou aquela típica fã que sempre sabe todas as falas. hahaha
    Eu não tinha me animado a assistir esse filme quando meus pais me levaram ao cinema quando eu tinha 11 anos, mas acabei me surpreendendo horrores e gostando muito mesmo. Foi assim que tudo começou pra mim. Os anos seguintes então de lançamentos de livros e filmes dessa série seriam os melhores da minha vida e fizeram a minha adolescência ser maravilhosa por causa disso.

    Beijos,
    Resenhando Books

  • Vania disse:

    Linda resenha, Lany! Pedra Filosofal, o filme, foi meu primeiro contato com Harry Potter: fui assistir com a turma do inglês, e como você falou, nós saímos do cinema tentando imitar o jeito que o Draco falava “Pottah” hahaha. Somente ver o filme não me animou a ler os livros, especialmente porque os fãs que estavam comigo ficavam reclamando do tanto de mudanças que fizeram – inclusive uma das minhas amigas comentou justamente sobre a cena das poções. Mas você me conhece e sabe que fãs como eu sou hoje em dia me irritam hahahaha então somente anos depois é que dei meu braço a torcer.

    A cena do Harry vendo o Beco Diagonal pela primeira vez é uma das que mais me marcaram em todos os filmes; o meu queixo caiu como o dele ao ver esse lugar encantador pela primeira vez, e mais ainda quando engoli meu orgulho e resolvi ler a série. Columbus conseguiu captar muito bem a essência da história, a meu ver, e os dois primeiros filmes da série são duas das melhores adaptações que nós temos.

  • Melissa de Sá disse:

    Eu entendo as dificuldades de adaptação, mas ainda acho que foram feitas péssimas escolhas ao longo da série. A série tem mesmo essa cara de “colcha de retalhos”, não tem continuidade, os filmes parecem não ter começo, meio e fim. Bem complicado. Os únicos que salvam são mesmo 5 e 7 parte 1, mas mesmo assim, quando eles são colocados junto aos outros, o efeito é mesmo estranho. Eu prefiro pensar que algumas cenas realmente não existiram. hahahahaha

    Mas esse primeiro filme tem um ganho muito positivo: ele captura mesmo a magia de Hogwarts e as descobertas de Harry. É um filme tipo maravilhoso (um sentimento que tem no livro) porque Harry mudou de vida e está meio bêbado com a nova vida que leva. Isso foi bem legal e uma característica forte dos filmes do Columbus.

  • Lany disse:

    Eles não conseguiram decidir o que fazer: se o filme era para fãs ou para quem nunca leu o livro. Para mim o “píor” de tudo (nesse sentido), foi dividir o último livro em duas partes. Eles conseguiram colocar uma grande quantidade de informações, mas muito background que era necessário dos outros filmes a gente não tinha. Ficou muito bagunçado. Não teve um desenvolvimento linear…

  • Especial Harry Potter: (Filme) Harry Potter e a Pedra Filosofal - Livros de Fantasia disse:

    […] Publicado oringalmente em: http://poressaspaginas.com/resenha-especial-harry-potter-e-a-pedra-filosofal-filme […]

  • Especial Harry Potter: (Filme) Harry Potter e a Câmara Secreta - Livros de Fantasia disse:

    […] a Lany fez uma introdução incrível da série de filmes com a resenha de Harry Potter e a Pedra Filosofal (se não leu ainda, leia!). Diferente dela, eu acompanhei toda a seleção de elenco, as primeiras […]

  • Sorteio Especial Harry Potter « Por Essas Páginas disse:

    […] Adaptação: Harry Potter e a Pedra Filosofal […]

  • ana paula ramos disse:

    Muito legal !!! Eu comecei ao contrario… primeiros vi acho que os 3 primeiros filmes e confesso que não era fã, só depois que li o primeiro livro que me apaixonei e quis assistir novamente os filmes para fazer as incontáveis comparações!
    Concordo que não tem como uma adaptação ser fiel ao livro, e que gosto MUITO mais dos livros do que dos filmes, mas esse me pegou tbem em certos momentos… principalmente quando começa aquela musiquinha e aparece a Rua dos Alfeneiros, me dá um arrepio só de lembrar!!
    bjos

  • Nivia Fernandes disse:

    O primeiro filme foi de verdade meu primeiro contato com HP. Já tinha lido quando vi, mas estava de boa – porque apesar das mudanças, eu não tava completamente viciada ainda, e tinha só 13 anos. rs Pra quem não tinha nem banda preferida, no primeiro momento essas inconsistências não me incomodaram.

    Ficava encantada vendo personagens que estavam só na minha imaginação tomarem forma de algum jeito. Lany captou bem: o filme transmitiu a atmosfera de Hogwarts para todos nós querermos estudar lá pro resto da vida! rs

    Beijos!

  • Ana Carolina disse:

    Oi, Lany, tudo bem? Sabe que esse filme que me desmotivou totalmente em relação à serie Harry Potter? Talvez pelo fato de que eu já tivesse 16 anos e ele seja bem infanto-juvenil, por ser o início da saga e tals. Fui assistir no cinema também e não conhecia os livros. Lembro de ter saído da sessão bastante decepcionada, nem lembro exatamente com o que, já que não voltei a assisti-lo novamente. Rs.
    Mas eis que 10 anos depois minha melhor amiga que é muito, muito fã da série me convenceu a ler os livros e eu me apaixonei perdidamente. Quando terminei as Relíquias da Morte, senti como se me despedisse de um amigo de infância com quem nunca mais fosse me encontrar. Sofri, chorei e tive uma baita abstinência de HP. Kkkkkk
    Parabéns pelo post, muito bacana!
    Bjos

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